Os benefícios para a saúde trazidos pelo consumo dos alimentos funcionais foi tema de debates que reuniu, aproximadamente, 370 pessoas no I Congresso Internacional de Alimentos Funcionais da Amazônia (Ciafa), cujo tema foi "Nutrir o Mundo e Preservar a Floresta".
Os participantes tiveram a oportunidade de assistir a palestras e apresentações de trabalhos e pesquisas realizadas por pesquisadores e alunos de pós-graduação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). O evento contou com a presença de importantes cientistas que desenvolvem pesquisas sobre alimentos funcionais e resíduos.
Além de debater sobre os alimentos funcionais que trazem benefícios para a saúde, o evento abordou a importância do aproveitamento dos resíduos alimentares, como cascas de frutas e sobras de peixes não utilizadas na cozinha, promovendo uma produção alimentar mais sustentável e reduzindo resíduos e contaminação ambiental.
Na mesa de abertura, na segunda-feira (3/06), estiveram presentes o diretor do Inpa, professor Henrique Pereira, a pesquisadora do Inpa e coordenadora do Ciafa, Francisca Souza, além de representantes do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Henrique Pereira ressaltou a importância do Inpa para o Congresso, destacando que o Instituto realiza pesquisas na área da essência dos alimentos e desenvolvimento tecnológico.
“Falar sobre alimentos funcionais envolve discutir bioeconomia, a indústria de alimentos e toda a cadeia produtiva, desde a produção desses alimentos, seja pela agricultura familiar ou não, até o processo industrial de transformação dessas matérias-primas. O evento se dedicou com especial atenção ao nexo causal, a relação entre alimentação e saúde”, frisou.
Francisca Souza, líder do grupo de alimentos, apresentou alguns produtos resultantes das pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Análises Funcionais e Química de Alimentos (LFQA/Inpa), coordenado pelo pesquisador Jaime Aguiar. Entre eles, destacaram-se a farinha e o néctar de camu camu, que demonstraram eficácia no controle de doenças como glicemia, diabetes e obesidade. Souza mencionou ainda a utilização de resíduos de espinhaço, pele com escamas e fígado de peixe para a produção de uma farinha capaz de enriquecer diversos alimentos, um dos seus primeiros trabalhos de destaque no Inpa.
"Nós testamos o resíduo dos peixes, incluindo espinhaço e fígado, e os convertimos em farinha, que pode ser utilizada para suplementação de ferro, substituindo a farinha tradicional nas refeições. Também realizamos testes iniciais que resultaram em uma sopa destinada a militares, que teve boa aceitação”, explicou.
A pesquisadora também apresentou um cereal feito a partir da farinha integral da pupunha, desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Todos os produtos são livres de aditivos, buscando aumentar seu valor funcional. Nosso foco é oferecer produtos funcionais, que podem ter menor tempo de prateleira, mas promovem saúde para o público”, completou.
O evento proporcionou um ambiente propício para discutir a importância dos alimentos funcionais, o aproveitamento de resíduos e a produção sustentável de alimentos, destacando a relevância única e funcional da Amazônia como fonte de ingredientes vitais. Os participantes puderam aprender bastante por meio de oficinas e minicursos.

