A repercussão em torno dos resultados de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada motivou a realização de audiência pública conjunta das Comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa e de Assuntos Sociais, na terça-feira no Plenário 02. A sugestão foi feita pela senadora Vanessa Grazziotin, procuradora especial da Mulher no Senado.
Na divulgação inicial da pesquisa, em março, o Ipea chegou a informar que 65% dos entrevistados haviam concordado com a afirmação de que mulheres com roupas curtas merecem ser atacadas. O índice correto, no entanto, é de 26%. O instituto atribuiu o erro a um problema na tabulação dos dados.
A pesquisa do Ipea também indicou que 58,5% dos entrevistados concordam com a ideia de que "se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros".
Segundo o Ipea, apesar do erro, as conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, "ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos".
A jornalista Nana Queiroz é uma das convidadas para a audiência pública. Ela é a idealizadora da campanha "Eu não mereço ser estuprada", que mobilizou milhares de mulheres nas redes sociais, após a divulgação da pesquisa.
Também foram convidados o presidente do Ipea, Marcelo Neri, e representantes do Centro Feminista de Estudos e Assessoria, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, do Ministério da Justiça e da Secretaria de Direitos Humanos.

