Fotos: Eduardo Gomes
Benjamin Constant (AM) — A cheia do Rio Solimões e de seu afluente, Rio Javari agravou a situação na cidade de Benjamin Constant a 1.116 km de Manaus, região do Alto Solimões, na tríplice fronteira do Brasil, Colômbia e Peru nesta manhã de sábado, 11 de abril. Em quase dez horas de chuva ininterrupta, o nível da inundação na área urbana da cidade aumentou consideravelmente obrigando a Prefeitura de Benjamin Constant a interromper o trânsito na área central da cidade. Nas últimas 24 horas os níveis dos rios Solimões e seu afluente Javari aumentaram oito centímetros registrando a marca de 13,21 metros.
A forte chuva que caiu na cidade a partir das 22 horas de sexta-feira (10) assustou moradores e comerciantes. A área inundada aumentou na área central da cidade ocupando a maioria das ruas. 
Desde as primeiras horas da manhã, a Prefeitura de Benjamin Constant mobilizou operários para aumentarem o prolongamento das pontes construídas no início da semana, principalmente na Avenida Castelo Branco, área central da cidade, cujas águas já invadiram cerca de mil metros.
A Prefeitura através da Defesa Civil do município interditou parte da Feira do Produtor, localizada na orla onde parte da calçada desmoronou.
Enquanto isso comerciantes já se mobilizaram para enfrentar a cheia. Parte deles estava construindo marombas no interior de seus estabelecimentos, aumentando o piso para evitar que as águas causem estragos em suas mercadorias.
Prejuízos
Segundo o presidente da Associação Comercial de Benjamin Constant, Venâncio Correia de Oliveira Filho, o “Vena” até sábado (11) as vendas no comércio registram uma queda em torno de 20 por cento.
Ele calcula que os prejuízos dos comerciantes, principalmente os de gêneros alimentícios tenham prejuízos de 50 por cento, com a queda nas vendas e perdas de mercadorias causadas pela grande umidade.
Além das perdas, Venâncio aponta outro fator preocupante. O desabastecimento de gêneros alimentícios, como carnes congeladas oriundas de Manaus.
“Eu já cancelei alguns pedidos de congelados por não ter onde armazenar. Estou tentando arranjar um frigorífico para guardar o que tenho”, afirmou.
A comerciante Maria Gomes Mesquita também é da mesma opinião. “Vamos ter um prejuízo em torno de 50 por cento. Além disso as mercadorias que temos podem se estragar com o mofo por causa da umidade e também por causa de insetos”, afirma.
O comerciante e vereador Ares Cabral, proprietário de um pequeno mercadinho a 500 metros do Porto de Benjamin Constant já se preparava para adequar seu comércio, cujo acesso é feito por pontes. “Estou guardando parte das mercadorias no apartamento (loja fica no térreo) de minha irmã. Se a água continuar subindo dessa forma o jeito é fechar”, declarou.
A preocupação dos comerciantes tem fundamento, com base nas duas maiores cheias já registradas na cidade, em 1999 e 2012.
Em 99 a cheia alcançou a marca de 13,82 metros no dia 28 de maio (alguns moradores afirmam que o nível das águas subiu até o dia 9 de junho daquele ano).
Já em 2012, o nível máximo dos rios foi registrado em 25 de abril com a marca de 13,73 metros.
Em 2012 a cheia causou prejuízos em 70 estabelecimentos na cidade. Mais de 12 mil pessoas foram afetadas, o que corresponde 43 por cento da população residente na área urbana do município.
A cheia já obrigou a Prefeitura de Benjamin Constant decretar situação de emergência na última segunda-feira (06). No entanto a situação de emergência depende do reconhecimento do Governo do Estado e do Governo Federal, após receberem o Formulário de Informações de Desastres, uma exigência da Secretaria Nacional de Defesa Civil, subordinado à Presidência da República.
As informações contidas no FIDE ainda serão checadas pela Secretaria Nacional com análises de imagens de satélite para verificar a extensão da inundação.
A cheia já atingiu oito bairros na área urbana, onde foram construídos mais de cinco quilômetros de pontes em madeira, a remoção de famílias para abrigos, bem como a interrupção do ano letivo em várias escolas na área rural e possivelmente duas na área urbana.

