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Caso Wallace: Médico incomodado com a Polícia

O deputado Wallace Souza continua em estado “gravíssimo", segundo os médicos, que dois dias antes da pior crise sofrida pelo ex-parlamentar, questionaram a presença da polícia na porta do apartamento onde ele se encontra internado, no Hospital Bandeirantes,em São Paulo. O cirurgião Tércio Genzini chegou a encaminhar carta ao Ministério Público Federal, dizendo que o quadro do paciente era grave e o "constrangimento pelo qual também passamos (nós e os agentes policiais) quase todos os dias quando somos educadamente questionados sobre quem somos, numa alusão sobre o que estamos fazendo ali, nos faz concluir que o paciente está renunciando a vida por se sentir numa prisão e não num hospital. 

A Carta, que você vai ler abaixo, na íntegra, chegou ao MPF apenas nesta terça-feira, depois que a situação de saúde de Wallace se agravou e os médicos comunicaram à família que o caso era gravíssimo.



HEPATO
Hepatologia e Transplante de Órgãos



Ao Ministério Público e Polícia Federal



Ilmos. senhores,

Desde 18 de rnarço de 2010 estou acompanhando o paciente Francisco Wallace Cavalcante de Souza, internado no Hospital Bandeirante de São Paulo, transferido da UTI do Hospital da UNIMED com quadro de Síndrome Hepatorrenal Peridionite Bacteriana.

O paciente em questão é portador de Síndrome Anti-fosfolípide, trombose universal do sistema porta, trombose da veia jugular direita, ascite refratária, desnutrição e depressão graves.

Durante este período tratamos sua infecção e recuperamos sua função renal. Estamos tentando recuperar sua condição nutricional com dieta por sonda nasoenteral e realizamos uma cirurgia com implante de uma válvula abdominal para tratamento da ascite refratária.

Estamos também administrando anti-depressivos para tentar reverter seu quadro psiquiátrico depressivo grave.

Entretanto, seu quadro clínico vem se agravando e não estamos conseguindo reverter principalmente seu quadro psiquiátrico. Sua situação clínica orgânica grave associada ao seu confinamento com a presença de escolta permanente em seu quarto tem agravado esta situação e do ponto de vista médico estamos começando a ficar sem opções terapêuticas.

O quadro do paciente é grave e o constrangimento pelo qual também passamos (nós e os agentes policiais) quase todos os dias quando somos educadamente questionados sobre quem somos, numa alusão sobre o que estamos fazendo ali, nos faz concluir que o paciente está renunciando a vida por se sentir numa prisão e não num hospital. Além disso, na condição atual, a única transferência possível deste paciente é para UTI e qualquer tentativa de sair do hospital resultará na sua morte. Portanto, apesar de não ter conhecimento de casos semelhantes, penso ser dispensável, neste momento, a presença do agente policial.

Eu não quero interferir em qualquer decisão da justiça, mesmo por não conhecer qualquer informação sobre o processo que envolve este paciente e nem é minha intenção ter este conhecimento, mas peço a vossas senhorias que avaliem a possibilidade de um período sem a  presença de escolta no quarto para eu e minha equipe tentarmos recuperá-lo clinicamente do ponto de vista orgânico é psiquiátrico para que então, quando em condições de alta hospitalar, vossas senhorias exerçam os procedimentos definidos pela lei para seu caso.

Não tenho qualquer relacionamento com o paciente ou seus familiares além da relação médico-paciente mas sinto-me na obrigação de atuar com a máxima dedicação para recuperação do paciente em questão e por isso escrevo esta carta aos senhores responsáveis por esta situação.

Renovo meus protestos de estima e consideração pelas instituições envolvidas e coloco-me à disposição para esclarecimentos.

Cordialmente.


Tércio Genzini

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