"Nos mais de 35 anos na magistratura nunca ganhei nada além de meu salário, nem uma passagem de canoa.Houve um tempo que pessoas alheias a Justiça davam ordem no Tribunal de Justiça, por isso dancei três vezes", disse o desembargador Wilson Barroso, que na próxima quinta-feira completa 70 es e aposenta compulsoriamente.
Manaus - A sessão do Pleno do Tribunal de Justiça do Amazonas nesta terça-feira foi marcada pela homenagem ao vice-presidente da Corte, desembargador Wilson Barroso, que está completando 70 anos e se aposenta compulsoriamente.
“Sua vaga será ocupada, mas seu lugar não, sempre estará aqui nesse plenário”, disse o presidente do TJ, desembargador Ari Moutiho, que se emocionou ao entregar ao colega uma placa confeccionada especialmente ele.
“Vive o mestre Barroso”, gritou o desembargador Domingos Jorge Chalub, que contou que ao entrar na faculdade de direito, Wilson e Ari Moutinho estavam deixando a universidade, formados em direito para logo depois entrarem na magistratura. “Geralmente a festa é quando entramos, hoje vossa excelência está saindo e o plenário tá lotado, mas não por causa da pauta, mas porque todos querem lhe homenagear”, acrescentou.
Em seguida Ari Moutinho passou a presidência da sessão a Wilson Barroso, que foi homenageado por todos os membros da Corte.
Ao sentar na cadeira do presidente, Barroso lembrou do casamento de Ari Moutinho, do nascimento da filha do amigo e disse: “sempre fui leal a meu amigo Ari, há mais de 40 anos convivemos”.
Wilson Barroso disse ainda que há dois anos se prepara para a aposentadoria compulsória. “Era para sair na quinta-feira, quando completo 70 anos, mas antecipei para amanhã (quarta-feira)”, declarou, afirmando que nos mais de 35 anos na magistratura nunca ganhou nada além de seu salário, nem uma passagem de canoa.
“Houve um tempo que pessoas alheias a Justiça, davam ordem no Tribunal de Justiça, por isso dancei três vezes, mas fui promovido por antiguidade”, concluiu, afirmando que os tempos mudaram.

