Manaus/AM - O município de Barcelos, no Amazonas, foi o que registrou maior número de malária no país em 2021, com 10.433 casos. Outros três municípios amazonenses, São Gabriel da Cachoeira, com 9.427 casos, Manaus, com 4.465 ocorrências e Tefé, com 3.374 casos, todos em 2021, estão entre os 10 no país em casos da doença, de acordo com o Ministério da Saúde (MS).
Mesmo com a redução de 15,40% no registro de casos ano passado, em comparação a 2020, Manaus continua em destaque no cenário nacional em casos de malária. Com a redução, a capital saiu do 7º para o 9º lugar no ranking dos dez municípios brasileiros com maior número de casos da doença no país.
Dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (Sivep Malária) mostra os 10 municípios que apresentaram maior número de casos da doença: Barcelos (AM), com 10.433 registros, seguindo de Alto Alegre (RR), com 10.024 ocorrências; São Gabriel da Cachoeira (AM), com 9.427 casos; Porto Velho (RO) com 7.717 registros; Jacareacanga (PA), com 7.456 ocorrências; Itaituba (PA), com 4.992; Amajari (RR), com 4.505 casos; Cruzeiro do Sul (AC), com 4.488 registros; Manaus (AM), com 4.465 ocorrências; e o município de Tefé (AM), com 3.374 casos.
A secretária municipal de Saúde de Manaus, Shádia Fraxe, explicou que a redução de casos na capital é resultado de um trabalho contínuo na rede municipal de saúde, executado por agentes de controle de endemias, que têm papel fundamental nas ações de combate à doença.
Desde 2018, segundo o chefe do Núcleo de Controle da Malária da Semsa, João Altecir Nepomuceno da Silva, o município de Manaus vem apresentando redução contínua de casos da doença. Naquele ano, houve registro de 8.347 ocorrências. Seguindo a série histórica de casos, Manaus registrou 6.530 ocorrências em 2019, 5.277 em 2020 e 4.464 em 2021.
No total, entre 2017 e 2021, Manaus apresenta uma redução de 57,7% de casos de malária. Foram notificados 10.557 casos de malária em 2017 contra 4.464 em 2021, informou João Altecir.
A redução e a melhora no ranking de municípios com mais casos, representam uma conquista para o programa de controle da doença, principalmente considerando que Manaus é uma área endêmica e que tem uma população muito maior, comparada a outros municípios com transmissão ativa da malária, com mais de dois milhões de habitantes, pontuou o chefe do Núcleo de Controle da Malária.
Outro dado importante, segundo João Altecir, é o que mostra Manaus como único, entre os dez municípios com maior número de casos, que não registrou, em 2021, a transmissão local provocada pelo parasita Plasmodium falciparum, que é uma das espécies de protozoário transmitido ao homem pela picada de mosquitos do gênero Anopheles, ocasionando a malária.
“O Plasmodium falciparum é o mais agressivo agente causador da doença e responsável pelos casos de morte por malária. O controle dessa transmissão é uma das metas estabelecidas pelo Programa Nacional de Controle da Malária. Em Manaus, é um desafio constante, já que a capital amazonense sofre uma pressão epidemiológica de outros municípios que registram a transmissão do Plasmodium falciparum, sendo ponto de passagem, mobilidade e grande circulação de pessoas”, explicou.



