Medida visa acelerar o desmatamento de grandes áreas e abrir espaço para a soja e o gado
Uma área da floresta amazônica nativa e outros biomas correspondente a 30 mil campos de futebol foram envenenadas com agrotóxicos lançados de aviões por fazendeiros e pecuaristas que atuam na região com plantação de soja e criação de gado. O Amazonas teria tido pelo menos 3 mil hectares atingidos pelos agrotóxicos.
Os autores desse crime ambiental foram multados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em mais de R$ 72 milhões entre os anos de 2010 a 2020, especificamente em casos de desmatamento com pulverização aérea de agrotóxicos.
A denúncia foi feita pelas agências “Repórter Brasil” e “Agência Pública”, revelando que, nos últimos 10 anos, cerca de 30 mil hectares de vegetação nativa foram literalmente envenenados para ter seu desmatamento acelerado no traçado denominado de “arco do desmatamento” na região amazônica.
Até hoje apenas 3 multas dessas foram pagas das 14 aplicadas por desmatamento com uso de agrotóxicos.
O temor é que com o desmonte da fiscalização ambiental promovida pelo governo Bolsonaro, o problema se agrave, pois todos esses casos ocorreram sem autorização dos órgãos ambientais.
Ambientalistas afirmaram não ser possível saber se os responsáveis tiveram o cuidado de tirar os animais e as pessoas que circulavam por essas áreas enquanto os aviões jogavam os químicos.
A reportagem denúncia destaca que o processo lembra o que foi usado pelo exército norte-americano durante a guerra no Vietnã, quando aviões americanos despejaram o agente laranja, um agrotóxico que tinha a função de “ neutralizar” a floresta, usada como refúgio do exército local.
Naquela ocasião, além de matar a vegetação vietnamita, que até hoje contém resíduos desses tóxicos, o agrotóxico continua fazendo vítimas após quase 50 anos do fim da guerra, onde muitas crianças no país nascem com deficiências como síndrome de Down, paralisia cerebral e desfiguração facial extrema.
Um dos agrotóxicos que compunha o agente laranja, o 2,4-D, foi encontrado pelos fiscais na fazenda que usou veneno para destruir a maior área de floresta em Mato Grosso, estado que lidera o ranking de envenenamento da floresta, com 27 mil hectares e mais de R$ 70 milhões de multas.
O Estado do Amazonas vem em segundo lugar, com 3 mil hectares afetados pelos agrotóxicos e mais de R$ 2 milhões de multas.
Em seguida vem o estado de Santa Catarina, com 13 hectares e multas de R$ 90 mil, Rio Grande do Sul, com 11 hectares e multas de R$ 84 mil e Paraná, com 6 hectares e multa de R$ 82 mil.



