Manaus/AM - O Governo do Amazonas atribui a queda inédita nos índices de criminalidade ao pacote de investimentos em segurança pública iniciado em 2019. Desde então, mais de R$ 1,16 bilhão foram aplicados na contratação de 2.800 novos servidores, renovação da frota, aquisição de armamentos modernos e implantação de sistemas de monitoramento. Segundo dados divulgados pelo Estado, esses reforços impulsionaram reduções significativas nos roubos a residências, pedestres e estabelecimentos comerciais em Manaus.
A maior queda foi registrada nos roubos a residências, que recuaram 86% na capital. Em 2011, foram 1.392 ocorrências entre janeiro e outubro; em 2025, no mesmo período, apenas 182 — o menor patamar da série histórica. Roubos a pedestres também atingiram o menor número em 10 anos, com redução superior a 52%, enquanto os roubos ao comércio caíram mais de 62% somente em outubro. As quedas, segundo o governo, refletem os efeitos do programa Amazonas Mais Seguro, que reorganizou o patrulhamento e expandiu o uso de tecnologias como reconhecimento facial e leitura automática de placas.
A cúpula da segurança afirma que esses resultados são reforçados pelo aumento do efetivo policial. O secretário de Segurança Pública, Vinícius Almeida, destaca o ingresso de mil novos militares em 2024 e o fortalecimento da Polícia Civil, que ampliaram operações e abordagens em áreas antes mais vulneráveis. Almeida também aponta que iniciativas como o programa RecuperaFone ajudaram a rastrear celulares roubados e desencorajar o comércio clandestino de aparelhos. Mesmo com os avanços, ele afirma que “o objetivo é manter pressão diária sobre a criminalidade”.
Outro eixo central da política estadual é o combate ao tráfico nas rotas fluviais. Bases como Arpão 2, Arpão 3, Paulo Pinto Nery e Tiradentes receberam R$ 160 milhões em investimentos desde 2020 e, segundo o governo, já causaram prejuízo estimado em R$ 780 milhões às facções. De janeiro a outubro, as operações resultaram na apreensão de 2,6 toneladas de drogas, 7,2 milhões de litros de combustível, 19 embarcações e 120 prisões. Para o governador Wilson Lima, atingir o crime na rota fluvial “reduz a capacidade financeira das organizações e impacta diretamente os índices urbanos”.
A modernização do armamento também é apontada como fator decisivo. Desde 2019, o Estado entregou 11.418 armas — entre pistolas, fuzis e metralhadoras — em um investimento de R$ 27,7 milhões. No mesmo período, as apreensões de drogas superaram 39 toneladas de janeiro a outubro deste ano, próximo ao recorde registrado em 2024. A retirada de 1.360 armas de circulação até agosto reforça o que o governo chama de “curva de contenção do crime organizado”. Para Wilson Lima, os resultados mostram que “segurança pública exige planejamento, investimento e ações coordenadas”.
Integrantes do União Brasil também afirmam que a política de segurança se soma a outras ações estruturantes do governo. O 2º vice-presidente estadual do partido, Marcellus Campêlo, e o 3º vice-presidente, Sérgio Litaiff, avaliam que as reduções decorrem de uma visão integrada entre desenvolvimento urbano, tecnologia e presença policial. Segundo eles, a expectativa é de que as próximas entregas de equipamentos e a expansão de programas tecnológicos consolidem as quedas nos roubos e ampliem o impacto no interior do estado ao longo dos próximos ciclos.





