
(Deputado publica duras críticas à presidente que cometeu a gafe de dar 20 milhões de moradores para o Amazonas)
É impressionante a desinformação, para dizer o mínimo, do governo federal para com o nosso estado. Em campanha eleitoral antecipada, a presidente Dilma Rousseff deu a demonstração de que de nada adianta ter um líder do governo do Amazonas ao seu lado. Se antes tínhamos suspeita da inoperância, agora não resta dúvida.
Depois de levar um chega pra lá do governador Omar Aziz que, sabiamente, não quis inaugurar a obra inacabada da Arena da Amazônia Vivaldo Lima, a presidenta veio entregar milhares de casas no programa Viver Melhor 2. Durante coletiva de imprensa, o governo federal fez o milagre da multiplicação: a população do Estado ficou com 20 milhões de habitantes. Promessas antigas também se multiplicaram como Gremilins na água. Voltou a prometer a prorrogação da Zona Franca por mais 50 anos ainda esse ano (de eleição), cujo líder de governo não conseguiu articular com ninguém até hoje para pôr em votação. Prometeu a BR-319, que até agora só gerou superfaturamento e escândalo. E prometeu novamente investimento em mobilidade urbana, um dos principais legados da Copa, item que foi excluído do projeto inicial e que se resume hoje em pintura de uma faixa na rua e pontos de ônibus coloridos.
De fato, o que vemos é a tentativa de construção de uma aliança eleitoral de cima pra baixo, como sempre para garantir novo mandato à nível federal. Por aqui, se colocar todo mundo numa cesta só e diminuir o espaço para questionamentos, melhor. Principalmente se for para eleger um governador submisso e sem compromisso com o Estado.
E é exatamente para transformar este contexto que fico honrado pela convocação da executiva nacional do meu partido para que eu aceite o desafio de ser pré-candidato ao governo e enfrentar com coragem esse cenário assustador.
Vou buscar agregar inteligência, informação e formação na busca de soluções. Vamos questionar. Vamos mostrar que realmente esse governo não conhece o Amazonas e nem tem interesse em conhecer. Só para se ter uma idéia do descaso:
a) O Banco do Brasil tem 43 agências no estado, sendo 23 em Manaus. São 42 municípios que não contam com o serviço. O Basa tem 12 agências no estado, 3 na capital e mais 9 municípios. São 52 municípios sem um posto. A Caixa Econômica Federal tem 42 agências, sendo 26 em Manaus. Presente em apenas 17 municípios, temos 45 cidades sem uma agência.
b) No INSS é pior ainda o cenário. São 20 agências no Estado. Ausente de 48 municípios. E mais: dos 13 municípios que tem agência, alguns não têm perito médico para avaliar o caso do segurado. No total, são 54 municípios sem perito médico.
c) A Polícia Federal, responsável pelas fronteiras e o combate às drogas, conta com um efetivo de 120 agentes, alocados em Manaus e Tabatinga. São 60 municípios sem a presença da instituição. E mais: são destacados para a zona de fronteira apenas 24 agentes para todo o Estado. A Polícia Rodoviária Federal tem efetivo de 79 agentes e presença em apenas 3 municípios. São 59 cidades sem esta polícia.
d) O Instituto Chico Mendes, responsável pela conservação da Biodiversidade, no estado que o maior número de reservas em quantidade e quilômetros quadrados tem 5 funcionários em Manaus, sua única sede. Enquanto que a instituição tem no Rio de Janeiro 77 agentes alocados.
Somos pouco mais de três milhões e quinhentos mil amazonenses, principalmente dos mais humildes rincões deste estado, que acreditamos nas promessas da primeira eleição e, por isso, proporcionamos a maior vitória em termos percentuais à presidente Dilma em uma unidade da federação.
Agora não mais. Chega. Queremos dizer não ao descaso, desinteresse e a manipulação. O interior do Amazonas precisa. As pessoas precisam. É uma luta de David contra Golias. Mas vamos concentrar nossos esforços e desejo de mudança para a construção de um Amazonas novo e vibrante, como se fôssemos 20 milhões de amazonenses. É hora de tomar nas mãos o leme deste barco. Por que não?



