Manaus/AM - O Amazonas foi o segundo estado a contribuir para o aumento recorde de 5% nos alertas de desmatamento na Amazônia Legal em outubro deste ano comparado com o mesmo mês do ano de 2020, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (12/11) pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter).
Os dados indicam que uma área de 877 km² está sob foco de processos de degradação, sendo o Pará o estado com maior extensão sob alerta de desmatamento: 501 km², vindo em seguida o Amazonas, com 116 km². Em terceiro lugar vem o Mato Grosso, com 105 km², Rondônia, com 100 km², Acre, com 40 km² sob alerta, Roraima, 8 km², Maranhão, 4 km², Amapá com 2 km² e o Tocantins, com 1 km².
A informação contradiz a posição do governo brasileiro emitida oficialmente esta semana na Conferência do Clima (COP26), em Glasglow, na Escócia, onde prometeu acabar com os desmatamentos ilegais até 2028, conforme pontuou o Observatório do Clima, organização que reúne várias entidades que atuam na preservação ambiental.
Responsável por produzir sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²), tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal, o Deter pode incluir em seu levantamento processos de desmatamento ocorridos em períodos anteriores ao do mês de mapeamento mas cuja detecção não fora antes possível por limitações de cobertura de nuvens.
Para o Observatório, o dado do Deter é um lembrete de que o Brasil que circula pelos corredores e pelas salas da COP26, em Glasgow, é o mesmo onde grileiros, madeireiros ilegais e garimpeiros têm licença do governo para destruir a floresta.
Segundo os responsáveis pela entidade, o governo ainda não divulgou o dado oficial do desmatamento, de agosto de um ano a julho do ano seguinte, costuma estar disponível no começo de novembro, também medido pelo Inpe.
Isso significa que em casa, onde reside o tal “Brasil real” de que tanto fala o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, há na verdade um país que desmontou as políticas de combate ao desmatamento, maior causa de emissões de gases de efeito estufa, que gastou centenas de milhões de reais em operações militares inócuas e que tem ao menos cinco projetos de lei no Congresso que anistiam o roubo de terras, acabam com o licenciamento ambiental e ameaçam as terras indígenas, barreiras mais eficazes contra a devastação.
As emissões acontecem no chão da floresta, não nas plenárias de Glasgow, afirma Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “E o chão da floresta está nos dizendo que este governo não tem a menor intenção de cumprir os compromissos que assinou na COP26”, finaliza.



