Estudantes do município de Tabatinga (a 1.105 Km de Manaus) lutam pela criação da Universidade do Alto Solimões, que atenderia a demanda da região dos municípios da fronteira do país, como Atalaia do Norte, Benjamim Constant e São Paulo de Olivença. Além dos alunos, a implantação é apoiada pelos professores e pelos índios da etnia tikuna que residem em comunidades dentro do município. Atualmente, para a formação em nível superior, os universitários contam apenas com um centro da Universidade do Estado do Amazonas, que possui 1,5 mil alunos, dos quais 50 são tikunas.
Durante a realização da Conferência Municipal de Educação de Tabatinga, o deputado estadual Sidney Leite (DEM), presidente da Comissão de Educação, Cultura e Assuntos Indígenas da Assembleia Legislativa do Amazonas, ouviu as principais reivindicações dos alunos e professores e verificou as parcerias hoje existentes entre a UEA, institutos de educação e universidades de países vizinhos, como o Peru, principalmente no campo da pesquisa e extensão, que complementam a formação dos acadêmicos.
A criação da Universidade do Solimões, além de garantir maior diversidade de cursos, teria por finalidade atender as demandas locais com a perspectiva de formar mão-de-obra para trabalhar na biodiversidade, fomentar o turismo, aumentar o potencial da pesca e da floresta, de modo que não houvesse a ociosidade após a formação desses profissionais. “Nós podemos sim buscar apoio, inclusive de outros países, para isso, pois seria um avanço para a educação”, afirmou o deputado Sidney Leite.
Na tribuna da ALEAM, o parlamentar ressaltou que não há como deixar de sonhar com a universidade do Alto Solimões, uma vez que essa é uma necessidade de uma região que possui uma série de peculiaridades, inclusive as questões geográficas. “O Alto Solimões, em especial Tabatinga, possui um papel fundamental para o desenvolvimento do Amazonas e do Brasil. É essa a forma mais prática de chegarmos ao Pacífico e por sua vez ao Atlântico. Não há como nos fecharmos para os países vizinhos”, comentou.
A Conferência Municipal de Educação de Tabatinga reuniu mais de 300 pessoas entre estudantes, professores, gestores, pais de alunos e a comunidade em geral. Para Leite, esses encontros são importantes, porque não estão discutindo isoladamente as propostas para a Conferência Nacional de Educação que ocorrerá em Brasília em 2014, mas, também, por estarem direcionando propostas ao governo municipal, estadual e federal, apresentando a realidade dos municípios do Amazonas.

