Manaus/AM - O grande número de acidentes, roubos, furtos e mortes no trânsito relacionados a motocicletas levou um grupo de alunos dos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia Eletrônica da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) a desenvolver um protótipo conceito que, utilizando sensores embarcados, reconhece e sinaliza ao proprietário da motocicleta que está ocorrendo uma tentativa de furto.
O projeto de extensão, coordenado pelos professores Fábio Cardoso e Israel Gondres, é também capaz de neutralizar um roubo, desligando o circuito elétrico da moto em um tempo pré-determinado, mostrando sua localização por GPS, para que a mesma seja recuperada.
O sistema foi projetado para reconhecer um acidente de trânsito e, automaticamente, emitir alerta ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o que proporciona maior agilidade no atendimento de primeiros socorros, potencializando as chances de sobrevida do condutor.
Os projetos nasceram em função da interpretação de um problema cotidiano por parte de um conjunto de pessoas, no caso, estudantes dos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia Eletrônica, que afeta a sociedade de forma direta. Foram utilizados elementos da metodologia PBL (Project Based Learning, ou aprendizado baseado em projeto), implementamos ferramentas e técnicas no contexto acadêmico tanto quanto na prática, explica o coordenador do projeto, o professor Fábio Cardoso, engenheiro biomédico e coordenador de projetos no Laboratório de Sistemas Embarcados (LSE-HUB/UEA).
A equipe responsável pelo projeto é composta pelos alunos Felipe Corrêa, Carlos Emanuel e Ana Maciel, desenvolveu, de forma cooperativa, com os alunos do LSE, Arlley Gabriel e Matheus Assunção, o protótipo conceito que visa pôr à prova todas as várias funcionalidades do sistema, dotado de sensores e camadas de segurança, a fim de manter seu funcionamento em caso de possíveis danos.
A equipe implementou sensores que percebem impactos e variações de inclinação. Com isso, temos como determinar quando ocorre uma queda na motocicleta e/ou um impacto externo, que é o que primeiramente caracteriza um acidente, aponta Felipe Corrêa, líder técnico do desenvolvimento do protótipo.
Foram instalados módulos GNSS (GPS) e GSM (comunicação celular) para termos a localização do veículo em tempo real e a possibilidade de emitir os alertas de furto/acidente pela rede celular, que é a mais abrangente dentro do contexto de aplicação do sistema.
Segundo o aluno, utilizando um aplicativo para smartphones, o usuário do sistema cadastra suas informações biométricas e o sistema somente aciona a moto pelo leitor de impressão digital, parecido com o de uma urna eletrônica, acoplado ao guidão. "Com o app também é possível cadastrar outros usuários e receber as notificações de furto ou tentativas de violação do veículo, junto à sua localização em tempo real", acrescenta Corrêa.
O sistema reconhece, inclusive, sinais vitais da vítima, o que pode tornar-se a diferença entre a vida e a morte em caso de acidentes no trânsito. São essas informações que garantem à equipe de socorro o necessário para poder trabalhar de forma mais assertiva e eficaz.
“Esse é um protótipo conceito. Ele é considerado o primeiro passo em direção a um produto comercial. Após esta etapa, é desenvolvido o protótipo produto e, então, o produto. Estamos abertos a investimentos por parte da indústria, já que esse sistema representa um impacto positivo gigantesco ao cotidiano de quem se vale dos veículos de duas rodas como meio de transporte ou trabalho”, explica o professor Fábio.

