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Alerta para automutilação em crianças e adolescentes torna-se lei em Manaus

Por Ana Celia Ossame, especial para Portal do Holanda

 

A cidade de Manaus tem, desde ontem (3) estabelecido que outubro será o Mês da Prevenção, Conscientização e Combate da Automutilação entre Crianças e Adolescentes por meio de decreto municipal. A violência autoprovocada tem o registro de 12 casos em pessoas com até 17 anos de idade em 2023 pelo Disk-Denúncias da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc), informa a assistente social Graça Prola, subsecretária dos Direitos Humanos e Mulheres do órgão.

Mas a automutilação afeta hoje pelo menos 10% dos adolescentes no país, sendo mais frequente com as meninas, embora aconteça também com os meninos, destaca Graça, que promete um levantamento mais apurado dos números nos órgãos do município.

Especialistas estimam que um a cada cinco adolescentes já praticou a autolesão não suicida pelo menos uma vez na vida. O chamado fenômeno da autolesão foi, em tempos atrás, associado a personalidade emocionalmente instável, mas estudos recentes o associam a fatores depressão, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), ansiedade e outros distúrbios emocionais.

O projeto que se tornou lei foi apresentado pelo vereador João Carlos (Republicanos) e visa chamar a atenção para um problema que tem sido recorrente nos dias atuais e que exige tanto da família quanto da escola, um cuidado importante.

“A automutilação, na avaliação dos especialistas é um problema de saúde mental quando há realização intencional de comportamentos de agressão ao próprio corpo, usando objetos afiados ou mesmo as mãos, para se beliscar, se bater, arrancar cabelos e outros métodos que resultam num alívio temporário para as emoções e circunstâncias causadoras desse comportamento”, afirma a subsecretária. Entretanto, como as causas permanecem e estão associadas à depressão, ansiedade, observa.

A importância da lei está no fato de que esses comportamentos vão determinar a necessidade da busca de ajuda. “Por isso tanto os pais, familiares e professores são extremamente importantes nesse aspecto de buscar ajuda para as crianças e adolescentes ao perceber esse tipo de atitude”, explica ela.

A orientação inicial aos pais é não criticar e nem castigar, mas também não minimizar ou ignorar o problema, porque quem pratica a automutilação está sofrendo e precisa de ajuda. De acordo com a Graça, é importante pensar em campanhas para incentivar as pessoas a falar abertamente sobre as suas demandas, sejam emocionais ou outras e a secretaria vai definir ações com viagens de carro e outros tipos de eventos para partilhar com os pais e falar com eles sobre a automutilação.

Para ela, é fundamental tanto a manifestação de atenção e amor às crianças e adolescentes quanto a buscar de ajuda de um profissional de saúde para que as intervenções sejam eficazes e ajudem tanto as famílias quanto as crianças a lidar com as emoções causadoras desses problemas.

“Essa lei vem para fomentar campanhas, rodas de conversas e vamos intensificar a busca de dados para ter um quadro mais real da questão”, disse a subsecretária.

Em 2023, o Disk-Denúncias da Semasc registrou 1.422 denúncias de casos envolvendo crianças e adolescentes.

 

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