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Água permanece contaminada e imprópria para consumo em Parintins, dizem relatórios

Por Portal Do Holanda

04/12/2023 15h00 — em
Amazonas


Foto: Divulgação/Cosama

Manaus/AM - Novos relatórios de acompanhamento da qualidade da água dos poços que abastecem a cidade de Parintins, no Amazonas, realizados no final de novembro, apontam a permanência de problemas de contaminação da água, ficando imprópria para consumo. 

Os dados foram divulgados pela Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama) e Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). Os relatórios de acompanhamento da qualidade da água dos poços que abastecem a cidade confirmam a permanência da contaminação por nitrato e alumínio, em altíssima concentração. Em decorrência disso, o pH da água apresenta acidez elevada, fora dos padrões recomendados para o consumo humano.

As análises não detectaram a presença de resíduos que apontem que venha sendo feito tratamento com cloro, uma exigência em captação subterrânea, estabelecida pela Portaria GM/MS 888. Nas coletas realizadas, o índice de cloro na água foi zero, indicando que esse tratamento não é realizado. Os resultados são preocupantes, afirma o diretor-presidente da Cosama, Armando do Valle. Segundo ele, são necessárias medidas urgentes e imediatas e o Governo do Estado já se prontificou a ajudar a Prefeitura a solucionar o problema.

Os novos relatórios foram encaminhados para a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), órgão ao qual a Cosama é vinculada. Também serão enviados à Prefeitura do município e aos órgãos competentes. Em Parintins, as ações de saneamento são executadas por empresa municipal, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae).

Os relatórios apresentados são de coletas realizadas nos dias 27, 28 e 29 de novembro deste ano, com análise de parâmetros físico-químicos e presença de metais, em pontos estratégicos da cidade, como pontas de rede, poços tubulares, instituições públicas (escolas, hospitais, creches etc.), bumbódromo, aeroporto, feiras e residências unifamiliares.

As visitas técnicas para acompanhamento da qualidade da água em Parintins foram designadas pela Diretoria de Operações (Diop) da Cosama. As equipes, compostas por biólogo, geólogo, engenheiro químico e outros profissionais, realizaram o mapeamento dos pontos de coleta.

Foto: Divulgação/Cosama

No dia 27, a coleta da água foi feita em 18 pontos da cidade. Em todos eles, o pH, que deve estar entre 6 e 9, ficou abaixo do desejado – no máximo, chegando a 3,87. A presença de nitrato, nesse dia, foi registrada em todos os pontos de coleta, em alta concentração. O nitrato é uma substância que indica a contaminação da água por resíduos de esgoto. O máximo permitido é de 10 mg/litro. Os valores identificados ficaram entre 23,02 e 202,80. A contaminação por alumínio também é evidente. A presença dele deve ser de até 0,2 mg/l. Só três pontos de coleta apresentaram normalidade nesse item. O restante ficou acima, chegando a 0,49 mg/l.

No dia 28, a coleta foi realizada em 10 pontos da cidade. Em todos eles, o pH ficou abaixo de 6, entre 2,3 e 3,75, indicando alta acidez, muito além do satisfatório. Foi constatada a contaminação por nitrato, ficando na faixa de 100 mg/l. O poço tubular 4 apresentou o nível preocupante de 253,5 mg/l. O metal alumínio também se manifestou em valores muito elevados, com resultados acima do padrão, na faixa de 0,40 mg/l.

No dia 29, mais uma vez foi constatada a contaminação por nitrato, com resultados na faixa de 100 mg/l. Os níveis alcançados na Escola Estadual Tomazinho foram de 238,0 mg/l, um dado extremamente preocupante, segundo o gestor da Cosama. O alumínio também apresentou valores elevados, acima do padrão determinado pela portaria, ficando numa média de 0,50 mg/l. O pH ficou na faixa de 4,0, indicando elevada acidez. Nesse dia, conforme a leitura realizada, dois pontos de coleta apresentaram resultados em desacordo para coliformes fecais.  

Alerta - O primeiro alerta da Cosama sobre a qualidade da água em Parintins foi dado no “Relatório Sintético - Situação do Poços de Parintins/AM”, assinado pelo órgão e pela FVS, em agosto deste ano. O relatório apresentou o diagnóstico dos poços subterrâneos administrados pelo Saae, no município. Identificou a contaminação de 22 dos 26 poços que abastecem a cidade, com concentração altíssima de poluentes, como amônia, manganês, ferro e, os mais graves, nitrato e alumínio, bem como a presença de coliformes totais e fecais. Ou seja, mostrou que a água é imprópria para o consumo.

O documento recomenda medidas emergenciais e imediatas para a solução dos problemas. O relatório foi encaminhado à Prefeitura do município, ao Ministério Público do Amazonas, Ministério Público Federal, Ministério Público de Contas, Tribunal de Contas do Estado, Defensoria Pública e Câmara Municipal de Parintins.

Todo o fornecimento público de água para consumo humano em Parintins provém de captação subterrânea (Aquífero Alter do Chão), sob a responsabilidade do Saae, que conta com 28 poços tubulares em operação. A ideia do Governo do Amazonas é que o trabalho seja coordenado pela Sedurb e Cosama e o Saae necessita passar por uma imediata intervenção técnica.

A contaminação dos poços que abastecem a cidade foi tema de Audiência Pública realizada pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), no município, na última sexta-feira (1º). A audiência foi realizada a pedido do presidente da Comissão de Geodiversidade, Minas, Gás, Energia, Recursos Hídricos e Saneamento da Aleam, deputado Sinésio Campos. Durante a audiência, o Saae admitiu os problemas, que atestam que a água fornecida para a população é imprópria para consumo humano.


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