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'A maioria morreu dormindo', relata sobrevivente do naufrágio no Amapá

Barco Anna Karoline III

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Sobrevivente do naufrágio do barco Anna Karoline III, Márcio Rodrigues dos Santos, 46, conta que a maioria das vítimas morreram dormido. O acidente aconteceu no último sábado (2), no Amapá, e deixou pelo menos 22 mortos até o momento. 

"O comandante do navio nunca avisou que iríamos afundar, acredito que a maioria das pessoas morreu dormindo", diz.

Em entrevista a revista Época, Márcio relato que a tragédia começou a se desenhar por volta das 5h em meio a uma forte chuva no rio Jari. Foi nessa hora que ele começou a ouvir gritos vindos da parte mais baixa da embarcação. 

"Cheguei a pensar que essa movimentação poderia ser uma briga ou assaltos, que são muito comuns por essas águas, mas logo depois começou um corre-corre", diz.

Sua esposa, Alexandra Barbosa, 45, foi uma das vítimas da tragédia. Márcio tentou alertar a mulher, mas não obteve sucesso. "Quando fui chamar a Alexandra, ela estava na cozinha e não na rede onde estava deitada antes [...] Gritei muito por ela, mas rapidamente ouvi o barulho das coisas caindo e quebrando e outros gritos encobriram a minha voz. Nunca tive uma resposta dela", conta. 

Márcio buscou se salvar enquanto via as janelas se quebrando com o impacto dos corpos. Já fora do navio, teve que esperar por socorro na água por cerca de dez minutos junto aos outros sobreviventes.

Alexandra e Márcio estavam acompanhados de 18 amigos rumo a uma festa de aniversário na cidade de Almeirim, no Pará. Apenas quatro deles sobreviveram.

Segundo relatos de Márcio e de outros sobreviventes, já havia água no convés antes mesmo de o navio sair do porto. O excesso de carga na embarcação também foi mencionado. 

O navio Anna Karoline III saiu do Porto do Grego, no município de Santana, no Amapá, por volta das 18h de sexta-feira (28) com destino a Santarém, no Pará, onde deveria chegar na manhã de domingo (1º). A embarcação naufragou a cerca de 265 quilômetros dali em uma área próxima da cidade de Laranjal do Jari, também no Amapá.

Em nota, a Marinha lamentou o ocorrido e disse que as buscam seguirão. Na segunda-feira (2), o Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação criminal para apurar as causas do naufrágio.

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