Manaus/Am - De 1995 a 2020, 440 trabalhadores foram resgatados no Amazonas de trabalhos análogos aos da escravidão. Os dados são do levantamento apresentado pelo Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, que revelou essa situação em 10 municípios do Estado, incluindo a capital, Manaus.
O observatório pontua que, mesmo sendo crime e uma grave violação aos diretos humanos, o trabalho em condições análogas à de escravidão frequentemente é identificado em todo o Brasil.
Nos locais onde são realizadas as operações, a situação dos trabalhadores revela-se em total calamidade, com homens submetidos a métodos milenares de exploração pelo trabalho, sem direito a água potável, alimento e descanso, além de todos os demais direitos trabalhistas garantidos na legislação.
O observatório reúne dados públicos desse crime desde o ano de 1995. No país, nesse mesmo período, foram resgatadas 55.712 pessoas de situações semelhantes à de escravidão no Brasil, tendo o Estado do Pará como o maior número de casos, 13 mil.
No Amazonas, o município de Boca do Acre foi o que apresentou maior número de casos, com 231 nesse período, sendo que em 2012 foi o ano com maior pico de casos, 162 no total.
Lábrea vem em seguida, com 120 casos, com 31 só no ano de 2008. Depois vem Barreirinha, com 19 casos, todos em 2008, Parintins, com 15 casos, todos em 2008, Manicoré com 15 casos, dos quais 9 em 2011, Presidente Figueiredo com 12, todos no ano de 2008, Manaus com 8, dos quais 4 em 2010, Humaitá com 8 casos, todos em 2015 e Santa Isabel do Rio Negro, com 7 em 2014.
Entre as atividades nas quais essas pessoas atuavam estão a produção florestal, pesca, extração de minério, desdobramento de madeira, fabricação de laminados de madeira e agropecuária.
A maioria das vítimas, 67% do total, tinha o ensino fundamental incompleto.
Entre os casos registrados em 2014, deu-se o resgate de 13 pessoas que trabalhavam na extração de piaçava em duas comunidades rurais entre os municípios de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro. A operação realizada pela Polícia Federal e Ministério Público do Trabalho (MPT) ocorreu entre 27 de abril e 11 de maio, resgatou as pessoas em condições análogas à de escravos.
Além da jornada excessiva de trabalho durante sete dias da semana e servidão por dívidas, eram alojados em construções improvisadas de barracos com lona, sem as mínimas condições de higiene e segurança.


