“Eu vim porque estava cansada de sofrer. E o motivo de eu ter denunciado meu marido foi de querer vê-lo na cadeia porque ele é um homem muito violento. E para eu me proteger, tenho que vê-lo na cadeia, quero ficar livre dessa tortura”, desabafa A.C., casada há 12 anos e vítima de violência doméstica pela terceira vez.
A história de A.C. foi um dos casos distribuídos para o 2º Juizado Especializado no Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher que, desde a sua inauguração em 21 de março, já recebeu 152 processos, sendo que 90% deles estavam relacionados à Medidas Protetivas, criadas para proteger a mulher vítima de violência doméstica e familiar de possíveis atos abusivos ou criminosos por parte de seu agressor.
“A maioria é Medida Protetiva, com quatro réus presos e estamos aguardando ainda os inquéritos policiais. São os dados até o momento”, afirma a juíza de Direito Luciana da Eira Nasser, que responde pelo 2º Juizado “Maria da Penha”.
De acordo com a juíza, fatores de ordem econômica e emocional e também o medo que as vítimas têm de correrem riscos após a denúncia, são os principais motivos de as vítimas não buscarem ajuda.

