Registrar em mais ou menos cinquenta minutos o que vivemos nesse ano de 2020 seria quase impossível, mas apresentar artisticamente alguns momentos pontuais que mexeram com a humanidade neste ano sem precedentes, é o que um grupo de 7 artistas está tentando fazer. Desde meados de novembro, um coletivo de artistas manauaras independentes, vem trabalhando na produção da série digital ‘Endemia’, que vai contar em 5 episódios como foi o cotidiano deles próprios enquanto cidadãos e de mais 7 personagens que eles interpretarão. A obra estreia nessa sexta feira, 8 de dezembro de 2020, no canal do artista Diogo Ramon no YouTube.
Entendida como uma obra cênica-audiovisual e ficcional-documental, a série ‘Endemia’ busca trabalhar dialogando esteticamente com os princípios do teatro, e poeticamente por meio dos recursos técnicos do audiovisual. A ideia de se basear no termo ‘endemia’ está ligada ao processo das manifestações de doenças e infecções que ocorrem em determinada área ou região e lá permanecem ocorrendo costumeiramente. Para tanto, o projeto parte deste conceito, trabalhando dramaturgicamente com suas características de contaminação, ocorrência e incidência; buscando elaborar uma analogia subjetiva com as questões cotidianas da sociedade.
No enredo aparecem problemas contemporâneos individuais dos seres humanos, e coletivos estruturais da sociedade, podendo citar os tantos preconceitos, a autocobrança, as patologias do século, o desemprego e a desigualdade social. Dialogando com as alternativas de combate de ‘endemias’, o texto sugere repensar possíveis caminhos de esperança, resiliência, respeito e tolerância, enquanto medidas de enfrentamento aos males sociais apresentados, sempre no sonho do alcance de suas erradicações.
A série retratará a rotina pessoal e a criação cênica de sete atores em suas habitações e ambientes de relação. A proposta estética do projeto é organizada por meio da composição de cenas individuais dos artistas e o registro destas em formato de vídeo. Estes recortes videográficos seguirão os procedimentos estéticos, poéticos e técnicos teatrais em diálogo com os fundamentos estéticos e técnicos audiovisuais. Essas cenas contarão com a participação dos atores envolvidos, realizando monólogos e solilóquios; bem como interagindo e contracenando à distância, promovendo uma obra que cruza caminhos com o naturalismo teatral e cinematográfico.
Já a proposta dramatúrgica se baseia numa dimensão não cronológica, mas conectiva entre cada episódio. O texto base da obra e seus roteiros se baseiam na realidade dos sete atores envolvidos no processo, em comunicação constante com os sete personagens interpretados pelos mesmos. Estes personagens apresentados, foram criados a partir de cidadãos que nos acostumamos a identificar no dia a dia durante a pandemia. As atitudes e os posicionamentos diversos destes cidadãos, frente às questões sociais das duas décadas do terceiro milênio e as dos últimos nove ou doze meses, durante a pandemia, são os desenhos que delinearam o enredo da obra.




