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Livro busca desmistificar produção de bens e serviços na Amazônia

Livro busca desmistificar produção de bens e serviços na Amazônia
Livro busca desmistificar produção de bens e serviços na Amazônia

Manaus/AM - Mostrar histórias de projetos de sucesso muitas vezes desconhecidos na região amazônica, que ainda é vista com muito preconceito no Sul do país, por conta da Lei da Informática da Zona Franca de Manaus, é um dos principais objetivos da obra “A Amazônia Sustentável e o ecossistema empreendedor”, da jornalista Cristina Monte, a ser lançada no próximo mês de dezembro.

Entre dezenas de depoimentos e cases de sucesso, o livro conta como um grupo de empresários engarrafa umidade do ar em Barcelos e vende para a Europa em garrafas de água a preço de euro, mas também registra as dificuldades e os desafios enfrentados pelos empreendedores na região.

A jornalista é paulista, veio morar na capital amazonense em 1998, voltou para São Paulo em 2000, retornando em 2005, sempre envolvida com tecnologia e inovação.

Durante a pandemia, em 2020, ela que também é historiadora, aproveitou o tempo de reclusão para ouvir pessoas, instituições, empresas e o que fosse possível, para contribuir na desmistificação da falácia de que Amazônia é um lugar onde nada se produz e vive apenas de incentivos fiscais da Lei de Informática.

“Percebi que existe uma história que não estava sendo contada, que é desta Manaus mais moderna, que já tem alguns marcos de desenvolvimento diário de empreendedores e de tecnologia. Por conhecer o outro lado da região, que é desconhecido no resto do país, onde só aparece com notícias de desmatamentos e corrupção política, resolvi mostrar principalmente o que se faz de bom aqui”, disse ela, que percebeu poder usar toda a sua experiência e vivência com empresas e instituições de ensino e pesquisa para mostrar o que chama de “o outro lado da Amazônia”.

Foram mais de 100 depoimentos que incluem desde os dados de desmatamento até a produção de aplicativos de informática que ajudam empresários de hotelaria a reunir pessoas interessadas em fazer turismo de base comunitária.

“Temos depoimentos de pessoas falando abertamente de situações difíceis, mas também de produtos feitos por conta da Lei de Informática, resultado de trabalho de empresas que estão aqui há décadas”, destaca a jornalista.

Um dos exemplos citados é o de um grupo de empresários que com uma tecnologia, tira do ar água, no município de Barcelos, e vende a garrafa por nada menos que 7,0 euros.

 

COLETIVIDADE

Num total de 17 capítulos, o livro apresenta, segundo a autora, a importância de despertar para a coletividade. “O trabalho tem que ser feito em rede, nós fazemos parte dessa rede e só vamos conseguir soluções para a Amazônia nesse trabalho de rede”, diz Cristina, destacando depoimentos de lideranças indígenas, empresariais e de pesquisadores radicados na região há décadas.

“Temos depoimentos de lideranças empresariais do Centro das Indústrias e Federação das Indústrias do Amazonas, temos cientistas como Phillipe Fearnside e Adalberto Val, do Inpa, alertando que a Amazônia pode ser um cenário inicial de outra epidemia”, explica a autora.

A primeira edição do livro está em pré-venda e é bilíngue, segundo ela, por entender a importância de levar essas informações para o público no exterior. A editora terá uma edição em e-book.

“O livro foi construído com mais de 200 mãos, agradeço aos convidados que doaram seu tempo e conhecimento para contribuir e desmistificar o preconceito que se tem sobre a Amazônia, mostrando o que se tem feito de bom por aqui”, diz Cristina.

Otimista, ela acredita que mesmo que não esteja muito claro ainda, a pandemia trouxe um movimento de mudança, de alerta para o cuidado com o ambiente porque do contrário, as consequências são trágicas, daí o número de mais de 606 mil mortes no Brasil.

“A pandemia é um ato histórico que mostrou vivermos duas realidades, pessoas mais conscientes e as outras, que não se importam. Pelo lado bom, aumentou o número de pessoas fazendo o bem, ajudando a coletividade e mudando a realidade para o positivo”, finalizou Cristina, para quem se cada um fizer a sua parte, como uma formiguinha, podemos ajudar a fazer o mundo e a Amazônia um lugar melhor para se viver.

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