Estudo mostra importância de Geraldo Pinheiro no estudo da presença negra na Amazônia

Por Portal do Holanda

15/07/2021 10h11 — em Agenda Cultural

Foto: Divulgação / Pesquisador é referência no tema

Manaus/Am - Quando se fala em presença negra no Amazonas, Geraldo Pinheiro é autoridade. O pesquisador Júlio Gama traz à luz, em sua pesquisa, registros valorosos referentes à construção da Identidade Cultural da Amazônia e celebra o centenário do ilustre procurador que fez carreira no Ministério Público do Estado do Amazonas.

"A presença do negro na Amazônia é silenciada e invisibilizada. O intuito maior relacionado ao centenário de Geraldo Pinheiro é ressaltar a importância de seus registros como contribuição nos estudos da Antropologia Cultural”, explica o pós-graduando do Programa de Pós-graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia –PPGSCA da Universidade Federal do Amazonas – UFAM, no núcleo de Pesquisa 1- Sistemas Simbólicos  e Manifestações Socioculturais.
 
Geraldo Macêdo Pinheiro nasceu em Manaus, no dia 28 de maio de 1920. O estudioso foi Procurador Público do município de Fonte Boa (a 678 quilômetros de Manaus) entre outros municípios do Amazonas como Manicoré e Parintins. Integrou a Comissão de Redação da Revista Arquivos da Associação Comercial do Amazonas, em edição conjunta com o Instituto Histórico. “Avesso à divulgação de seus estudos, Pinheiro se esquivava, por simplicidade desmedida, de proferir conferências, publicar livros, ministrar aulas, mas esmerava-se na meditação e pesquisa de temas do maior interesse para o conhecimento da sociedade e do homem amazônico em si”, segundo o ex-secretário de Cultura do Amazonas, Robério Braga.
 
Júlio Gama explica que prercursores como: Pierre Verger, Roger Bastide, Nunes Pereira e Geraldo Pinheiro, possibilitam o entendimento das relações sociais, históricas, e de construção identitária amazonense, pois seus diálogos relacionados aos estudos da religião, imigração e escravidão no Brasil e na Amazônia traçam um raio-x dos dias atuais.
   
Segundo o pesquisador, o Catálogo dos Manuscritos do Arquivo Geral Pinheiro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas organizado em 1980, preserva documentos de 1700 a  1920, tratando de assuntos mais diversos desde cópias das cartas de Ordem do Rei de Portugal. “Um verdadeiro tesouro para a história do Amazonas”, dispara Júlio Gama.

Entre as heranças abordadas na pesquisa de Gama, estão a pluralidade de expressões negras da religiosidade como o culto Daomeano, culto à São Benedito, padroeiro dos seringueiros, o Bumba-meu-boi oriundos da da imigração maranhense no Amazonas, trazendo não somente mão de obra aos seringais da Amazônia. “Tudo isso está presente nos quilombos urbanos manauaras e nos mocambos do nosso estado, bem como nossa maior expressão cultural do Estado do Amazonas: o Festival Folclórico de Parintins. Este reúne elementos Daomeanos ressignificados com elementos indígenas, apontando novos elementos de entendimento de uma construção de identidade diversificada.”, explica o pesquisador.

Júlio Gama ainda explica que a Saga Daoemena são expressões culturais trazidas pelos africanos escravizados no Brasil. "O Reino de Daomé, atualmente, República do Benin na África, foi um dos maiores exportadores de escravos da História da Humanidade.

"Os múltiplos processos sócio culturais existentes na Amazônia, precisam ser compreendidos e revisitados", conclui o pesquisador Júlio Gama.


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