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História Emocionante

Justiça autoriza adoção de adolescente no Amazonas que vai morar na França

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Foto: Chico Batata / TJAM Foto: Chico Batata / TJAM
Foto: Chico Batata / TJAM

Manaus/AM - O desejo de uma senhora de 59 anos em ser mãe e de um adolescente de 14 anos em fazer parte de uma família foi concretizado através do Projeto Encontrar Alguém do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). O sonho foi realizado após audiência de adoção realizada na última quarta-feira (17). Agora o jovem irá morar junto de sua nova família em Le Vésinet, cidade dos arredores de Paris, na França, a 8.302 quilômetros de Manaus.

O Projeto Encontrar Alguém foi lançado pelo TJAM há um ano na Coordenadoria de Infância e Juventude (Coij), ajudando na busca ativa de famílias para as crianças de difícil colocação, por não se enquadrarem no perfil normalmente indicado pelos pretendentes à adoção. Atualmente, o projeto tem 21 crianças cadastradas e já chega ao número de cinco adoções.

“Mais uma ação de sucesso em um ano. É o quinto caso de criança e adolescente que nós conseguimos inserir em uma família por meio do 'Encontrar Alguém’. O objetivo do projeto é exatamente esse, encontrar uma família para essas crianças e adolescentes que estão nos abrigos”, disse a juíza Rebeca Lima coordenadora do Coij. Segundo a juíza, outros pais habilitados estão chegando para ter esse estágio de convivência com as crianças em outros processos, incluindo um casal cujo interesse é adotar um grupo de seis irmãos, com idades entre 5 e 17 anos.

História de empatia

Foi um ano inteiro (2018) de etapas legais e avaliações, com o apoio das 27ª e 28ª Promotorias de Justiça da Infância e Juventude, da Defensoria Pública da Infância e Juventude e da equipe da Aldeia SOS Manaus (organização filantrópica, sem fins lucrativos), local de onde foi enviada a foto do adolescente para a futura mãe.

Ele estava em situação de acolhimento desde os seis anos de idade, oriundo de Coari (370 quilômetros de Manaus). “Minha vida com meus pais biológicos não era muito boa e minhas duas irmãs foram adotadas lá na cidade por duas famílias. Vim para Manaus de barco, perdi o contato com elas. Vivi na Aldeia SOS desde os sete anos”, contou o adolescente.

No ano passado, já inserido no projeto, ele viajou para a França a fim de conviver com os pais adotivos e se deparou com outra realidade e o idioma desconhecido. “No começo foi estranho, mas se você se interessar pode aprender outra língua. Minha mãe disse que vou estudar em uma escola com dois idiomas”, disse o adolescente, que revelou a pretensão de seguir carreira como médico veterinário.

A agora mãe do adolescente é paulista, morando na França há 15 anos com o marido francês, ela disse que sonhava com a maternidade desde a adolescência. “Eu tinha 17 anos quando quis, pela primeira vez, adotar uma criança abandonada, mas eu não poderia adotar, a criança ficou um tempo em nossa casa até encontrar uma família e esse desejo de adoção vem desde essa época”. Ela conta que casou tarde e teve abortos espontâneos. “Para mim não importava, filho biológico ou filho adotivo, não importava a idade para adoção. Meu marido não era muito favorável, chegamos à habilitação para adotar, mas ele acabou tendo dúvidas. Foi quando eu disse a ele que, quando aparecesse uma criança na minha vida, eu adotaria sozinha, e ele concordou comigo. Nesse ínterim, a habilitação foi aprovada e, sem sucesso, tentamos adotar uma criança menor”, diz a mãe adotiva. “No mês de junho de 2017, começamos a avaliar a adoção de uma criança de mais idade, pois o importante é a transmissão, o educar e deixar transmitir tudo o que a gente conhece e sabe. Transmitir o amor. Foi quando vi uma foto do meu filho e conheci o projeto ‘Encontrar Alguém’ e fiquei encantada. Pensei, 'esse é meu filho'”, relatou.

Após os primeiros contatos por mensagens e fotos, a mãe veio encontrar o filho adotivo pessoalmente. “Ele me chamava de tia e me apresentava a todos como 'minha mãe'. Eu fiquei no Brasil e depois, no telefone, ele já me chamou de mãe e eu pensava que demoraria para ele se acostumar. Em outubro de 2018, houve uma audiência da qual participei pelo Skype e ele pediu a minha bênção, todos os presentes se emocionaram”, conta. Na mesma audiência a promotora Nilda sugeriu que o menino fosse para a França conhecer a família.

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