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Política

Novos assinantes da Folha veem ameaças de Bolsonaro como censura e defendem imprensa livre

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na semana que se seguiu ao anúncio de Jair Bolsonaro de que cancelaria as assinaturas da Folha no governo federal, novos assinantes veem a atitude do presidente como censura e relatam que decidiram assinar o jornal para fortalecer a imprensa livre, independente e imparcial.

Diante das críticas de Bolsonaro à Folha, a procuradora do município de Salvador Geórgia Campello, 45, identificou sinais de que "os códigos democráticos estão sendo corrompidos".

"Quando, de algum modo, o presidente exclui alguma das vozes da imprensa, quem perde é a democracia", afirma ela, que é ex-presidente da Associação Nacional de Procuradores Municipais.

Campello conta que decidiu assinar a Folha pensando em "uma manifestação em prol da importância da imprensa como uma estrutura de mediação entre o indivíduo e o Estado".

Bolsonaro anunciou no último dia 31 que cancelaria as assinaturas da Folha no governo federal e se dirigiu aos anunciantes do jornal em tom de ameaça. "Não vamos mais gastar dinheiro com esse tipo de jornal. E quem anuncia na Folha de S.Paulo presta atenção, está certo?"

Para o servidor público Sérgio Dias, 52, de Brasília, a atitude de Bolsonaro é absurda. "Apesar de discordar dos posicionamentos da Folha em algumas ocasiões, entendo que a democracia depende de uma imprensa livre, independente e imparcial", afirma.

A discordância da linha editorial da Folha também não foi empecilho para que Liamara Padilha, 62, bancária aposentada de São Paulo, decidisse assinar o jornal. "Tenho uma mágoa com a Folha em relação à cobertura política nos governos do PT, mas, diante das críticas, decidi assinar como forma de expressar solidariedade", diz Padilha.

Em entrevista à TV Bandeirantes, o presidente disse que espera que não o acusem de censura. Entretanto, a diretora de escola Sirley Zancanari Ferrantte, 68, de São Bernardo do Campo (SP), vê o caso como uma tentativa de calar os meios de comunicação. "Acho inadmissível."

A engenheira Alice Quadros, 29, de Divinópolis (MG), concorda. "Por mais que a Folha publique notícias que talvez não agradem o presidente, o que ele fez restringe o acesso à informação", afirma.

De acordo com o Itamaraty, a Folha foi excluída da seleção diária de notícias que envolvem relações internacionais e são disponibilizadas pelo Ministério das Relações Exteriores para os servidores da pasta, inclusive os que estão em embaixadas fora do país.

"A gente vive uma tendência de querer ouvir só o que nos agrada --mas, quando essa atitude parte de um presidente, eu acho bem triste", declara a engenheira.

De Florianópolis, a advogada Paula Nascimento Cordeiro, 32, também não concorda com as decisões de Bolsonaro. "Uma postura péssima, não profissional e absolutamente ridícula." Para ela, a "falta de decoro do presidente" foi um incentivo para assinar o jornal. "Achei o momento muito propício."

Quando a Folha publicou reportagem sobre possível uso de caixa dois na campanha eleitoral de Bolsonaro, o presidente reagiu dizendo que o jornal conseguiu "descer às profundezas do esgoto". Foi mais um exemplo de "atitude antidemocrática", na visão do comissário de bordo André Souza de Araújo, 52.

"Essa ideia de achar que está sendo perseguido o tempo todo só ajuda a semear discórdia, ódio e desinformação. Condeno veementemente qualquer forma de restrição à imprensa", diz Araújo, que vive no Rio de Janeiro.

Em nota, a Folha lamentou a atitude do presidente e afirmou que seguirá praticando "o jornalismo crítico e apartidário que a caracteriza e que praticou em relação a todos os governos".

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