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'Ridículo'

Campanha contra Lava Jato e a favor de corrupção 'beira o ridículo', afirma Moro

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - De licença nesta semana, o ministro da Justiça, Sergio Moro, escreveu em sua conta no Twitter, na manhã desta terça-feira (16), que a imprensa faz uma campanha contra a Lava Jato e a favor da corrupção que "está beirando o ridículo".

A publicação vem em meio a uma série de reportagens do site The Intercept Brasil e de veículos parceiros, incluindo a Folha de S.Paulo, que tem divulgado mensagens trocadas entre o ex-juiz federal e procuradores da Lava Jato em Curitiba.

"Sou grande defensor da liberdade de imprensa, mas essa campanha contra a Lava Jato e a favor da corrupção está beirando o ridículo. Continuem, mas convém um pouco de reflexão para não se desmoralizarem. Se houver algo sério e autêntico, publiquem por gentileza", escreveu Moro.

No domingo (14), reportagem da Folha de S.Paulo e do Intercept mostrou mensagens do procurador Deltan Dallagnol que sugerem um plano de negócios com palestras e eventos para lucrar com a fama conquistada na Operação Lava Jato.

Em um diálogo por meio do aplicativo Telegram com sua mulher, Deltan comentou a iniciativa. "Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade", escreveu, segundo as mensagens analisadas.

Mensagens anteriores que já foram noticiadas mostram, entre outras coisas, Moro sugerindo a inversão da ordem de operações, antecipando uma decisão judicial e orientando Deltan a incluir numa denúncia uma prova contra um réu da Lava Jato.

Tanto Moro como os procuradores de Curitiba têm afirmado que não reconhecem a autenticidade das mensagens, mas não têm negado sua existência. Eles enfatizam que a provável origem dos vazamentos tenha sido um crime cibernético, que está em apuração.

No meio da crise gerada pela divulgação das mensagens, o ministro Moro tirou licença de cinco dias, até sexta-feira (19).

Na tarde desta terça, Deltan e outros membros da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba devem se reunir com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, em Brasília, a convite dela. A expectativa é que Dodge se posicione em defesa da operação anticorrupção.

Membros do Ministério Público Federal têm esperado da procuradora-geral uma defesa mais contundente da Lava Jato.

Nesta segunda (15), a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, órgão ligado à PGR, mas que atua de forma independente na área de direitos humanos, divulgou uma nota pública afirmando que o combate à corrupção é necessário, mas deve obedecer aos procedimentos e garantias legais.

A nota também diz que a atividade jornalística não pode ser cerceada por órgãos do Estado, mesmo que o conteúdo revelado tenha sido obtido de forma ilegal. Toda e qualquer reparação deve ser feita posteriormente à publicação das reportagens.

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