Camelôs de Manaus vendem Viagra falso e homens dão vexame na cama

13/04/2013 às 14h28

A venda de remédio para “tratamento” de disfunção erétil ocorre com a maior tranquilidade no comércio ambulante de Manaus.  Embora não apareça entre os produtos colocados à exposição nas bancas basta perguntar ao primeiro ambulante se vende Viagra para saber onde encontrá-lo.
- O senhor vende “palmeirinha”? indagou o repórter, que não sabia que o nome do produto de cor verde era Pramil ( Nitrato de Sedenafil), de  venda só  permitida nas farmácias mediante receita médica.
- Tenho, sim, respondeu o vendedor ambulante, que tirou do bolso uma cartela com o comprimido verde, apelidado de palmeirinha em referência a cor verde do time de futebol paulista, Palmeiras.


- E quanto custa o comprimido, prosseguiu o repórter.
- O palmeirinha custa R$ 5,00. Mas temos Viagra (Sildenafil), que custa R$10,00.
Ao ser indagado onde se poderia compra quantidade maior dos produtos, o ambulante não fez nenhum segredo a respeito do endereço e nome do fornecedor.
A poucos metros do ambulante, a reportagem parou  numa banca bem arrumada de venda de celular, CDs e outros e perguntou:
- Você vende palmeirinha? Indaga.
- Vendo até rupinol, (nome bastante conhecido nas crônicas policiais), destacou o comerciante, em tom brincalhão. Depois prosseguiu: “tenho palmeirinha e Viagra. O palmeirinha Custa R$ 10,00 o comprimido e o Viagra R$ 15,00”.
- Eu preciso de dois , continua o repórter.
- Não é preciso. Basta um comprimido para você ficar bombado. Se você tomar dois pode até morrer, preveniu.
O trabalho de investigação jornalística sobre a venda de Viagra no comércio ambulante de Manaus foi estimulada por uma denúncia de um rapaz que não iremos citar o nome que por muito pouco não morreu.

“Bicho, a minha pressão subiu que nem balão a gás. Pensei que ia morrer”, confessa o rapaz que, conforme lembrou, já teria procurado o pronto-socorro três vezes depois de ter consumido Pramil vendido no centro da cidade.

Produto pode provocar morte súbita

Acompanhe entrevista concedida pelo médico Nelson Barbosa, ex-diretor do Programa DST/Aids sobre Pramil – o Nitrato de Sildenafil -, fabricado pela paraguaia Novophar. Segundo o médico, o comércio do produto é proibido no Brasil e pode causar morte se ingerido por consumidores hipertensos ou portadores de doença do coração. na Ele disse ainda que já existe registro de morte em Manaus por consumo do Pramil. Veja a entrevista:

Portal do Holanda – O pramil pode ser comercializado sem acompanhamento médico?
Nelson Barbosa – Em absoluto. Nem esse nem outro qualquer. Esse produto contem substâncias perigosas, como o lipolítico TRIAC, emagrecedor proibido no Brasil desde 2001, depois que estudos identificaram risco de morte súbita para seus usuários.

Portal do Holanda  - Pra que serve o Pramil?
NB - O medicamento é usado para tratamento da disfunção erétil ou impotência e tem o mesmo princípio ativo do Viagra: o Sildenafil. Mas é preciso destacar que o mesmo não tem registro na Anvisa e oferece risco à saúde dos consumidores.

Portal do Holanda – O uso do Pramil paraguaio se orientado por um médico pode resolver eventuais problemas de disfunção erétil?
NB – Não aconselho. O Pramil vendido no camelô é uma versão barata do Viagra. Um comprimido custa R$ 3,00, ou seja, bem abaixo dos R$ 110 cobrados nas farmácias pela cartela com quatro comprimidos do produto original patenteado pela Pfizer.

Portal do Holanda – O Pramil e o Viagra têm o mesmo composto?
NB – Sim, têm o mesmo composto. São 50 miligramas de sildenafil. Mas advirto: se um hipertenso tomar pode morrer”.

Portal do Holanda – Em que circunstância o produto poderia ser vendido no Brasil?
NB – Diz a legislação que remédios só podem ser comercializados no Brasil se forem registrados na Anvisa e que apenas as farmácias e drogarias podem vendê-los. O descumprimento da legislação pode gerar pena de até 15 anos de prisão.

Portal do Holanda – No Amazonas existe registro de que alguém morreu por consumo de Pramil?
NB – Infelizmente, sim.

 

 


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