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Vox tenta barrar jornalistas do El País em seus eventos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O partido Vox, de ultradireita, decidiu proibir que jornalistas do El País, da rádio Cadena Ser e outros meios do grupo Prisa pudessem cobrir seus eventos de campanha. No entanto, a Justiça Eleitoral determinou que a legenda não pode fazer isso.

A decisão ocorreu depois que o El País publicou um editorial crítico ao Vox, no qual disse que os comentários xenófobos e intolerantes de seu líder, Santiago Abascal "exigem ativar todos os alarmes". O partido defende bandeiras como o fim da autonomia regional, a expulsão de imigrantes irregulares e a proibição ao aborto.

A legenda subiu para terceiro lugar nas pesquisas para as eleições nacionais de domingo (10). O país volta às urnas porque o vencedor do pleito de abril, Pedro Sánchez (PSOE), não conseguiu acordos para formar governo.

A Justiça, no entanto, apontou que o veto vai contra o "direito de comunicar e receber livremente informações por qualquer meio de difusão" e que o partido não pode discriminar jornalistas que queiram acompanhar seus atos em locais de acesso público.

O Vox disse que irá recorrer da decisão e alegou que o acesso à informação já está garantido, porque há outros meios credenciados para cobrir o dia da eleição em sua sede, que somam 150 jornalistas, e que não há espaço físico para receber também os do Prisa. 

Nesta sexta (8), um grupo de mais de 2.000 professores e pesquisadores divulgaram um manifesto para denunciar a manipulação de dados feita pelo Vox. "Apelando a fontes estatísticas e informes sociológicos, [o partido] tem pretendido estabelecer supostas relações de causa e efeito entre imigração irregular e delinquência urbana, população estrangeira e estupros em grupo", diz o texto, assinado por integrantes de universidades da Espanha, França e Reino Unido. 

O manifesto defende que a legenda usou dados falsos para construir "propostas políticas de criminalização e expulsão de imigrantes, o desmantelamento de políticas de igualdade, a negação da violência de gênero e a criminalização de partidos políticos".

No debate na TV, na segunda-feira (4), Abascal citou dados distorcidos, como o de que 70% dos criminosos envolvidos em estupros coletivos eram estrangeiros. O percentual se refere a uma parcela das vítimas que não conheciam seus agressores. 

Sobre a chacina de sábado em Manaus: 'Ainda tem alguém vivo aí dentro dessa casa?'

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