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Em Hong Kong, 10 mil manifestantes vaiam hino chinês durante partida de futebol

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cerca de 10 mil torcedores do time de Hong Kong vaiaram o hino nacional da China, que também é o hino do território semi-autônomo, em uma partida eliminatória de Copa do Mundo nesta terça-feira (10).

Os protestos ocorridos durante o jogo, que foi disputado contra o Irã, desafiaram a lei chinesa que considera a vaia ao hino uma ofensa.

Em Pequim, um ordenamento jurídico de 2017 prevê até três anos de prisão para a infração. Um projeto de lei para adotar a regra tramita em Hong Kong, mas até agora não foi aprovado.

Alguns torcedores exibiram cartazes e entoaram frases como "revolução do nosso tempo" e "libertem Hong Kong". Houve ainda quem cantasse "Glória a Hong Kong", canção que se tornou um grito de guerra durante as manifestações. 

Há três meses a ex-colônia britânica atravessa sua pior crise desde que foi reintegrada à China em 1997, com manifestações diárias para denunciar a perda de liberdades e o aumento das ingerências de Pequim nos assuntos internos de Hong Kong. 

Nesta terça, alguns torcedores continuaram puxando canções de protesto durante a partida, da qual o time local saiu derrotado por 2 a 0. 

Como resposta à crise em Hong Kong, a chefe-executiva Carrie Lam afirmou na semana passada que o polêmico projeto de lei de extradição que originou a movimentação popular está "morto", admitindo que o trabalho do governo na condução da proposta foi um "fracasso total".

Os ativistas, porém, ampliaram seu leque de pautas e seguem protestando. 

No final de semana, uma nova rodada de manifestações foi marcada por confrontos. A polícia de Hong Kong jogou gás lacrimogêneo para dispersar, no domingo (8), milhares de manifestantes que se reuniram em frente ao consulado americano para pedir ajuda aos EUA.

Os ativistas cantaram o hino nacional americano enquanto seguravam cartazes com frases pró-democracia. 

O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, pediu moderação à China neste sábado (7) depois que a polícia de Hong Kong impediu manifestantes de chegarem ao aeroporto do país para protestar. 

Uma proposta no Congresso americano chamada de "Ato pelos Direitos Humanos e Democracia de Hong Kong" visa permitir o congelamento de bens e impedir a entrada em solo americano de oficiais do governo de Hong Kong que ameacem a autonomia do território.

Os manifestantes pedem que a proposta seja aprovada na íntegra.

Em plena guerra comercial com Washington, a China afirma que a situação de Hong Kong é um assunto interno e acusa os Estados Unidos de incentivarem os protestos, que poderiam causar danos à economia.

"Esperamos que eles possam retirar suas mãos sujas de Hong Kong o mais rápido possível", afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, ao ser questionada sobre os protestos diante do consulado americano.

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