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Fluminense visita Inter depois de esfriar planos de troca de técnico

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RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - O Fluminense enfrenta o Internacional às 16h deste domingo (10), no Beira-Rio, embalado por uma vitória imponente sobre o São Paulo em pleno Morumbi, que, além de ter tirado a equipe da zona de rebaixamento, deu força para o técnico Marcão, alvo do vice-presidente geral dos tricolores, Celso Barros, que planejava mudar, novamente, o comando do time.

O desejo de troca do dirigente causou bastante mal-estar nas Laranjeiras, tanto entre os jogadores quanto na diretoria. Presidente do clube, Mário Bittencourt bancou a permanência do ídolo e resolveu afastar Barros das viagens da delegação para São Paulo, na quinta (7), e Porto Alegre, onde enfrentará o Inter.

Sempre sereno, Marcão preferiu não alimentar a polêmica com o vice-presidente e simplesmente disse que tratou de treinar a equipe nestes dias para jogos fora.

"A gente acompanha o futebol brasileiro há muitos anos e sabemos que estamos expostos ao resultado. Quando não acontece como imaginam, cria-se muitas especulações. Nesse caso, procurei ficar à parte, treinar minha equipe e deixar os nossos presidente e vice se resolverem. Estou aqui sempre em busca do melhor para o nosso clube e para o nosso torcedor."

A informação do afastamento de Celso foi veiculada inicialmente pelo Globo Esporte, que entrevistou o ex-presidente da Unimed na noite de segunda (4). As declarações do dirigente caíram como uma bomba no clube. Agora, a diretoria age para isolar o dirigente do departamento de futebol.

Celso Barros ocupa um cargo eleito pelos sócios até 2022. Portanto, só deixa o clube se renunciar. O estatuto, entretanto, não indica obrigatoriedade de participação do vice-presidente geral no futebol, ainda que o esporte seja a atividade-fim da associação. Este foi um arranjo feito por Mario para convencer o médico e empresário a seguir em aliança para as eleições.

Agora, o panorama é outro: Mario e seus apoiadores diretos desejam alijar Celso das decisões majoritárias do futebol. Para isso, não descartam nem a recriação da vice-presidência de futebol, indicando outra pessoa para o cargo e praticamente impedindo o dirigente de se manter próximo ao campo.

Os jogadores não são partidários do dirigente, assim como a relação entre ele e o presidente não é boa. Sem muitas saídas, o clube tenta tornar Celso Barros uma figura sem poder de decisão sobre o time.

Se dizia não ter interesses políticos no auge da parceria entre Unimed e Fluminense, o dirigente mudou de ideia com o fim do patrocínio, que foi de 1999 até 2014. De lá para cá, Celso tentou ser presidente do clube em 2016 e se alinhou ao lado de Mario para a eleição antecipada de 2019. O que o médico e empresário sempre desejou com isso, entretanto, era voltar a viver o mundo do futebol.

Apesar de não ter base tão forte de apoio em Laranjeiras, no clube social, o dirigente carregava boas parcelas de votos e grupos políticos, o que interessou a Mario e Ricardo Tenório. Eles formavam um "triunvirato" de oposição antes da saída do último, que enfrentou e foi derrotado pela dupla no pleito de julho.

Mario Bittencourt e Celso Barros jamais foram, de fato, aliados políticos no Flu. Enquanto vice de futebol, o atual presidente não era dos mais próximos de Celso, mas o desejo de ambos em chegar ao poder os uniram.

Agora, Mario, que detém maior poder político, não anda mais tolerando a verborragia e as opiniões fortes de seu vice. A tendência é de cisão, já que o racha pode inviabilizar a vontade do ex-presidente da Unimed. O isolamento, em último caso, pode fazê-lo renunciar.

Sob esse ambiente político conturbado, o Fluminense segue sua saga de tentar fugir do rebaixamento. A equipe tricolor é a 15ª colocada, com 34 pontos, apenas um a mais que o Botafogo, que abre o Z-4. Já o adversário da vez, o Inter, com 46 pontos, tenta voltar ao G-6, que dá vaga à próxima Libertadores.



INTERNACIONAL

Lomba; Heitor, Bruno Fuchs, Cuesta e Uendel; Lindoso e Edenilson; Guilherme Parede, D'Alessandro e Pottker; Guerrero. T.: Zé Ricardo



FLUMINENSE

Muriel; Gilberto, Nino, Digão e Caio Henrique; Yuri e Allan; Danielzinho, Paulo Henrique Ganso e Yony González; Marcos Paulo. T.: Marcão



Estádio: Beira-Rio, em Porto Alegre

Horário: 16h deste domingo

Juiz: Rodolpho Toski Marques (PR)

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