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Saúde e Bem-estar

Zika vírus existe há 50 anos. Saiba por que ele está se espalhando somente agora

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O site HuffPost Science veiculado a revista Abril, entrevistou Arnold Monto, professor de epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan, para esclarecer algumas dúvidas sobre a epidemia mundial que está causando danos alarmantes. Monto se dedica ao estudo de doenças infecciosas em países industrializados e em desenvolvimento. 

No Brasil, o vírus é associado a milhares de casos de microcefalia, uma rara condição congênita que causa encolhimento do crânio e do cérebro.

“O nível de preocupação é alto, assim como o de incerteza”, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, aos membros do conselho executivo da organização. “Precisamos de respostas rápido.”

Por que o vírus está se espalhando agora, se ele circula há décadas na Ásia e na África?

O vírus não é novo. Ele é conhecido há 25 ou 30 anos, mas nunca tinha se disseminado tanto. Este vírus já foi documentado na África e na Indonésia. Ele causava sintomas que duravam alguns dias, como febre e dores nas articulações, mas depois desapareciam.

Ele foi considerado uma ameaça menor até chegarmos à situação em que há novos casos o suficiente para reconhecermos a situação da microcefalia, que não tinha sido reconhecida antes.

Por que não tínhamos até agora visto casos de microcefalia associados ao zika?

Não havia muitos casos em mulheres grávidas registrados ao mesmo tempo. Se apenas 5% das grávidas infectadas tiverem filhos com microcefalia, seriam necessárias muitas infecções para termos as anormalidades detectadas e relacionadas com o zika.

Por que estamos vendo agora?

Porque há muitos casos ocorrendo em uma área em que as pessoas estão reconhecendo a doença. Se estivesse ocorrendo numa área rural na África Central, talvez não houvesse esse reconhecimento.

É normal que um vírus exista em baixos níveis durante décadas e de repente se espalhe em grande escala?

Já vimos casos assim. É uma questão de encontrar as situações propícias para a disseminação – tudo tem a ver com transmissão e susceptibilidade. Vimos epidemias de ebola, mas nunca como a registrada na África Ocidental no ano passado, simplesmente porque ela se espalhou para áreas urbanas.

Uma vez que o vírus passa a se “espalhar exponencialmente”, o que acontece depois?

Mais cedo ou mais tarde – em geral mais cedo, num caso de disseminação tão rápida – você atinge o que chamamos de “exaustão de susceptibilidade”. As infecções pelo vírus atingem o ponto máximo e depois começam a cair.

Quando você começa a ver que há muitos indivíduos susceptíveis em áreas onde o controle dos vetores é difícil, é quase certo que as infecções tenham chegado a um pico.

O senhor acredita que já tenhamos chegado ao pico?

Vamos ver. Com certeza há regiões onde houve transmissão intensa – níveis extremos são registrados em áreas populosas e pobres do Brasil. Mas ele vai continuar sendo um problema em áreas mais suburbanas ou rurais.

Como o senhor acha que a epidemia vai se desenvolver nos Estados Unidos?

Vamos ver a introdução ocasional nos Estados Unidos. Pode haver transmissões localizadas no sul do país. Mas é improvável que o vírus se espalhe além dessas áreas, e provavelmente será fácil controlá-lo, pois temos a infra-estrutura para isso.

Qual é a melhor resposta, em nível local e internacional?

Nas áreas onde ocorre a transmissão, combate agressivo ao mosquito. Nas áreas onde não há transmissão, evitar viagens das mulheres grávidas para áreas onde há focos da doença.

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