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Economia

Empresas recrutam jovens e Campus Party fica mais profissional

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Empresas de diferentes setores estão recrutando ou abrindo processos seletivos para jovens durante a Campus Party, um dos maiores eventos de tecnologia, games, empreendedorismo e educação do país, que acontece na Expo Center Norte, em São Paulo, esta semana.

O evento sempre foi útil para conectar especialistas de diversas áreas de tecnologia com parceiros ou possíveis chefes, mas este ano tem uma preocupação maior em profissionalizar e incluir os jovens no mercado de trabalho.

Além de tradicionais aspectos da feira, como computadores adaptados a diferentes formatos e cores, jovens de bermuda e chinelo e filas para esquentar comida nos microondas, neste ano as empresas formalizaram alguns processos para detectar talentos.

Na área gratuita, que fica aberta até o sábado (16), uma equipe da Randstad, multinacional de recursos humanos com 500 funcionários, busca programadores de Java e Python, especialistas em big data, soluções móveis, internet das coisas e desenvolvimento de chatbot.

Valéria Domingos, consultora da Randstad, diz que o mercado de tecnologia, embora aquecido, carece de profissionais com conhecimento mais avançado, que muitas vezes recorrem a vagas fora do Brasil.

"Há muita demanda para profissionais mais jovens, e nem sempre o mercado consegue formá-los para as vagas de mais peso". Segundo ela, a procura no primeiro dia de evento foi baixa.

Já a produtora MCI abriu um processo seletivo de cinco etapas durante o evento. De uma pré-seleção de 12 pessoas, escolherá duas para vagas de estágio de marketing digital design.

Empresas maiores como Oracle e Braskem dispõem de espaço para interessados que queiram entender sobre programas de empreendedorismo ou de estágio.

A Braskem anunciou a abertura de novos programas de aceleração e conexões com startups de sua plataforma Braskem Labs, que incentiva soluções sustentáveis relativas a plástico. Candidatos podem realizar a inscrição na Campus Party.

Em painel no palco principal, Marianna Sampaio, secretária-adjunta de tecnologia da Prefeitura de São Paulo, pediu a mulheres que enviassem seus currículos --apesar dos esforços de empregadores nos últimos anos, o número de funcionárias mulheres e negras ainda é uma preocupação.

"O evento tem se voltado mais ao empreendedorismo e ao trabalho, e isso tem atraído pessoas com esse foco e despertado interesse dos mais novos. A Campus não é um evento de tecnologia, mas de conexão de pessoas", diz Allan Kardec, "campuseiro" de 23 anos que está em sua terceira edição

Além da cultura geek, a Campus Party sempre se pautou pelo empreendedorismo, com incentivo a startups e a jovens empresários. Neste ano, dedicou um novo espaço a quem não quer criar um negócio, mas encontrar uma vaga no mercado de tecnologia.

Segundo Tonico Novaes, responsável pela Campus Party no Brasil, muitos chegam aos 25 anos sem saber preencher um currículo.

"As empresas explicam o que buscam e os jovens, a maioria millennial, poderão entender melhor que tipo de treinamento devem fazer e qual especialização faz sentido para eles", diz.

Com o ingresso mais barato vendido a R$ 350, o evento tem adotado iniciativas de inclusão social nas últimas edições, como parcerias com líderes comunitários que articulam a entrada de algumas dezenas de interessados.

Este ano, lançou o fórum de empreendedorismo social e periférico, que debate formas de extrair o potencial criativo de regiões mais pobres.

Alguns temas permanecem predominantes em workshops e debates, como blockchain, inteligência artificial e internet das coisas. Depois de um ano marcado por vazamentos de dados, a feira ampliou a programação de cibersegurança e proteção de dados. Um dos assuntos mais discutidos entre as comunidades de tecnologia é a Lei Geral de Proteção de Dados, que entra em vigor em agosto de 2020.

Na quinta-feira (14), Frank Karlitschek, desenvolvedor da Alemanha e entusiasta da privacidade, palestrará no palco principal. Karlitschek é uma referência em código aberto e idealizador de projetos que colocam os consumidores no controle de suas informações pessoais.

Outro destaque este ano são discussões sobre a influência da tecnologia nas relações humanas. Uma das palestras que reuniu o maior público nesta terça-feira foi ministrada por Rosana Hermann, autora do livro "Celular, doce lar", que deu dicas sobre como manter a "sanidade digital".

"Nossas relações nas redes sociais estão nos matando, estamos pegando 'bad vibes' de todos os tipos", disse, em uma referência à disseminação de ódio em redes como Facebook e Twitter. Para Rosana, as pessoas buscam surprir carências emocionais que "não serão solucionadas" pela internet e que "ninguém é obrigado a comentar todas as notícias".

O evento acontece até domingo (17) e a estimativa é de que 130 mil pessoas visitem o pavilhão. Cerca de 12 mil jovens estão acampados.

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