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Economia

Controle das Casas Bahia deverá voltar à família Klein

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O conselho de administração do GPA (Grupo Pão de Açúcar) aprovou a venda de sua participação de 36,27% na Via Varejo —dono das marcas Casas Bahia e Ponto Frio— em leilão na B3. O grupo é o atual controlador da varejista.

O anúncio foi feito após a manifestação de interesse do empresário Michel Klein, ex-controlador e hoje acionista minoritário da companhia.

O GPA afirmou nesta quarta-feira (12) ter recebido carta de Klein em que ele se compromete a apresentar “individualmente (direta ou indiretamente) e em conjunto com outros investidores, uma ou mais ordens de compra para aquisição” das ações do grupo pelo preço máximo de R$ 4,75 por ação no pregão.

O grupo aceitou vender a participação em certame na B3, mas pelo preço mínimo de R$ 4,75 por ação. Com isso, Klein precisaria desembolsar ao menos R$ 2,23 bilhões pela participação do GPA.

A XP Investimentos assessora o empresário, que pretende fazer a oferta juntamente com ao menos dois fundos de mercado, segundo pessoas familiarizadas com a operação.

A família Klein tem atualmennte 25,43% da companhia. Outros acionistas minoritários têm 38,27% de participação.

Se o negócio for concretizado, as Casa Bahia voltarão para a família fundadora da rede. Então já sob a gestão de Michael Klein, a rede havia sido vendida em 2009 para o Grupo Pão de Açúcar.

Michael é filho de Samuel Klein, empresário polonês que fundou as Casas Bahia, morto em 2014.

As ações da Via Varejo recuaram 3,2%, para R$ 4,84, no pregão desta quarta (12). A companhia perdeu 22,56% de seu valor de mercado nos últimos 12 meses devido a maus resultados. No primeiro trimestre deste ano, a empresa teve prejuízo de R$ 49 milhões.

“O controlador do GPA [Casino] está endividado e pediu recuperação judicial na França, não tem condição de fazer investimentos necessários na Via Varejo. Com isso, a empresa foi ficando para trás de concorrentes, especialmente no comércio eletrônico”, diz Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante.

A eventual venda a Klein deverá ser bem recebida pelo mercado, segundo ele.

“No longo prazo, a troca de comando é positiva. Abre espaço para a realização de aportes e para um aumento no nível de governança corporativa, com espaço para um conselho de administração independente”, afirma.

A família Klein já vinha discutindo a chance de aumentar sua presença no conselho da empresa, conforme antecipou a coluna Painel S.A. em março. À época, Michael disse que isso dependeria de um aumento de seu percentual de ações, algo que estava fora do radar, segundo ele.

É Michel quem administra os negócios da família, reunidos em torno do grupo CB, cujo foco está nas áreas de imóveis, aviação executiva e participação em outras empresas.

Procurado pela reportagem, o empresário não quis comentar a aquisição.

PRIMEIRA LOJA

A primeira Casa Bahia foi fundada em 1957 pelo pai de Michael, Samuel, que morreu aos 91 anos.

Nascido em 1923 no vilarejo polonês de Zakilikof, próximo de Lublin, onde cresceu, Samuel Klein teve uma infância de privação e, durante a Segunda Guerra Mundial, chegou a passar dois anos no campo de concentração de Majdanek. Conseguiu fugir em 1944.

Terminado o conflito, passou a morar na Alemanha. Aprendeu o ofício do pai marceneiro, mas logo percebeu que ganharia mais atendendo às necessidades das tropas aliadas: vendia vodca a russos e cigarros a americanos.

Foi assim que juntou algum dinheiro para deixar o país em 1952 com a mulher, Anna, e um filho de dois anos, Michael. Após uma breve experiência fracassada na Bolívia, chegaram ao Brasil. Se estabeleceram em São Caetano do Sul (SP).

Com uma carroça e uma lista com 200 fregueses do mascate que passou o negócio adiante, e sem falar português, começou a revender cobertores e toalhas a nordestinos imigrantes que chegavam aos milhares à região do ABC para trabalhar na nascente indústria automobilística.

Em 1957, quando multiplicou por dez a clientela inicial, abriu sua primeira loja. Os fregueses, chamados de "baianos" pelos paulistas, deram o mote para o estabelecimento: Casa Bahia. O singular logo teria que ser corrigido para refletir o número crescente de lojas. Ao longo das décadas seguintes, as Casas Bahia se espalhariam pelo país, principalmente após o Plano Real, em 1994.



Raio-X da Via Varejo

- R$ 7,4 bilhões foi a receita bruta da companhia no 1º.tri.19, queda de 1,6% em relação ao mesmo período de 2018

- R$ 49 milhões foi o prejuízo no 1º tri.19

- 1.044 são as lojas, distribuídas em 21 estados

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