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'O safado só queria passear'

Morte de Marisa Letícia e luto de Lula foram ironizados por procuradores da Lava Jato

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Manaus/AM - A morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia foi tratada com ironia pelos procuradores membros da força-tarefa da operação Lava Jato assim como o luto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme mensagens tiradas do aplicativo Telegram divulgadas por reportagem do The Intercept Brasil, em parceria com o UOL, nesta terça-feira (27). 

A morte de Marisa Leticia foi em 3 de fevereiro de 2017, vítima de um AVC. De acordo com a reportagem, um dia antes do falecimento, a procuradora da República Lauda Tessler, do Ministério Público Federal (MPF), chamou a atenção dos colegas para o comportamento de Lula e o uso política que ele poderia fazer com a perda de sua esposa. 

“Quem for fazer a próxima audiência do Lula, é bom que vá com uma dose extra de paciência para a sessão de vitimização”, comentou Laura. A procuradora ainda ironizou uma outra informação dada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, sobre os últimos dias de agonia de Marisa Letícia após a condução coercitiva de Lula, determinada pelo juiz Sergio Moro. 

“Ridículo… Uma carne mais salgada já seria suficiente para subir a pressão... ou a descoberta de um dos milhares de humilhantes pulos de cerca do Lula. Só falta dizer que a Lava Jato implantou 10 anos atrás um aneurisma na cabeça da mulher... milhares de pessoas morrem de AVC no mundo... isso faz parte do mundo real e ponto", disse a integrante da força-tarefa. 

Em outra mensagem, dessa vez o procurador Januário Paludo levanta suspeita sobre a morte da ex-primeira-dama e a justificativa de Lula de que “Marisa morreu por conta do que fizeram com ele e com os filhos dela”. 

"A propósito, sempre tive uma pulga atrás da orelha com esse aneurisma. Não me cheirou bem. E a segunda morte em sequência", comentou Paludo. O procurador já havia questionado a situação em outra conversa, quando a ex-primeira dama foi internada.

"Um amigo de um amigo de uma prima disse que Marisa chegou ao atendimento sem resposta, como vegetal", disse Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa. Paludo respondeu: "Estão eliminando as testemunhas”.

Mortes do irmão e do neto 

As mortes do irmão de Lula, Vavá, e do seu neto Arthur, também foram alvos de ironias, críticas e especulações pelos procuradores da Lava Jato, segundo a reportagem divulgada pelo UOL. Em uma mensagem, Deltan afirma que Lula iria pedir para ir ao enterro do irmão após o procurador Athayde Ribeiro Costa compartilhar a notícia do falecimento. “Ele vai pedir para ir ao enterro. Se for, será um tumulto imenso”, informou Dallagnol.

A saída de Lula foi motivo de discussão no grupo dos procuradores no Telegram sobre ps riscos e a legalidade. "A militância vai abraçá-lo e não o deixaram voltar. Se houver insistência em trazê-lo de volta , vai dar ruim!!", comentou Orlando Martello. Já Diogo Castor disse que "todos presos em regime fechado tem este direito".

Januário Paludo foi o responsável pelo encaminhamento da manifestação da força-tarefa pedindo indeferimento da saída de Lula. Poucos minutos depois da entrega, os procuradores tiveram acesso ao parecer da Polícia Federal alegando não ter condições de atender ao pedido de Lula, devido aos riscos.

Na discussão do assunto, Antônio Carlos Welter concordou com a PF, mas afirmou que Lula tinha o direito de ir ao enterro do irmão. Januário Paludo respondeu: "O safado só queria passear e o Welter com pena".

Em relação a morte do neto de Lula, a procuradora Jerusa Viecili alertou o grupo para uma "nova novela ida ao velório". Dessa vez Lula teve o pedido aceito.

Nas mensagens, ainda há um comentário de Deltan Dallagnol sobre uma conversa telefônica entre Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes onde o ex-presidente teria se emocionado. "Estratégia para se 'humanizar', como se isso fosse possível no caso dele rsrs", disparou o procurador Roberson Pozzobon.

A procuradora Monique Cheker, que atua no núcleo da força-tarefa do Rio de Janeiro, disse que o ex-presidente teria feito "discurso político (travestido de despedida) em pleno enterro do neto". 

A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba foi procurada para comentar a reportagem, mas informou que não poderia se manifestar sem ter acesso integral às conversas. 

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