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Em depoimento, testemunha que estava no carro com Marielle conta como foi a hora do crime

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Vereadora Marielle Franco (PSOL) - Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO - Cerca de dez dias antes do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes, uma funcionária da vereadora foi abordada de forma ameaçadora em um ponto de ônibus. De acordo com o depoimento prestado pela única sobrevivente do crime na Delegacia de Homicídios da capital, a que O GLOBO teve acesso com exclusividade, um homem questionou, em tom ameaçador, se a funcionária trabalhava com Marielle. Ainda de acordo com o depoimento, a mulher, que trabalha administrativamente, estranhou, na ocasião, o tom ameaçador e o fato de terem ligado o nome dela ao da vereadora.

Em seu depoimento, no entanto, a assessora conta que Marielle não comentou em nenhum momento que estava sendo ameaçada. Ainda segundo ela, a vereadora recebia muitas denúncias de moradores principalmente da área do 41º BPM (Irajá), onde ela havia atuado como coordenadora na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania entre 2013 e 2016, sobre a atuação de milícias e violência policial. Segundo a assessora, enquanto atuava como coordenadora Marielle tinha uma rede de moradores bem articulados que tinham acesso a ela para pedir ajuda.Ainda de acordo com o depoimento, a assessora que estava no carro contou que não percebeu que eles estavam sendo seguidos, e que segundos antes de ouvir os barulho da rajada de tiros, a vereadora teria falado "ué?", em tom de dúvida, logo assim que o veículo entrou na Rua João Paulo I, no bairro do Estácio, local do assassinato. Quando atingido, o motorista teria dito apenas "ai". A assessora contou também que se abaixou para tentar se proteger, e Marielle caiu sobre ela.

O carro, que estava em velocidade baixa, continuou andando. Foi a assessora que conseguiu se esticar e puxar o freio de mão para parar o veículo. Ainda de acordo com o depoimento, a vereadora sentava-se normalmente no banco do carona, mas naquele dia resolveu sentar atrás, junto com ela, já que as duas estavam escolhendo algumas fotos do encontro com outras mulheres que tinham acabado de participar, na Lapa. Imagens de uma câmera de segurança mostram o momento em que Marielle, a assessora e o motorista deixam o local.

Em seu depoimento, a sobrevivente disse que os tiros pareciam ter vindo da parte de trás, na diagonal. Logo depois do crime, ela contou que não viu nenhum carro ou moto próximos, e que pediu ajuda aos populares que passavam pelo local.Até o momento, pelo menos cinco pessoas já foram ouvidas pela DH. A suspeita da polícia é que três pessoas tenham participado do crime, em dois carros. Um dos veículos usados na ação estava com uma placa clonada de um carro de Nova Iguaçu. Peritos passaram parte desta sexta examinando cartuchos recolhidos por agentes da DH, no local do crime. Já se sabe que as balas que mataram a parlamentar são de um lote que foi vendido pela fábrica CBC para a Polícia Federal.

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